Capítulo 7

O reflexo daquela noite de chuva ainda pairava no ar quando a manhã seguinte começou. Na mesa de reuniões da Vance Holding, a atmosfera estava carregada. Alexander mantinha os olhos cinzentos fixos nos relatórios, mas Maya notou que ele evitava olhá-la diretamente nos olhos por mais de dois segundos. A provocação com o robe de seda havia deixado uma marca invisível na postura gélida do CEO.

— Os números do terceiro trimestre estão revisados, senhor Vance — anunciou Maya, entregando a pasta com precisão profissional.

— Excelente — limitou-se a dizer, a voz firme, mas um tom mais grave do que o normal. — Pode voltar para a sua mesa, senhorita Rodrigues.

No entanto, a calmaria durou pouco. No meio da tarde, o telefone da recepção da presidência tocou. Ao atender, a voz do outro lado da linha fez o sangue de Maya congelar instantaneamente.

— Maya? Por favor, não desliga — a voz de Arthur soou desesperada, longe de toda aquela arrogância que ele desfilava nos bailes. — Eu preciso falar com você. Cometemos um erro. Aquilo com a Letícia... foi um momento de fraqueza, um golpe dela! Eu amo você. A nossa história não pode terminar por causa de um capricho daquele bilionário prepotente.

Maya sentiu uma onda de náusea misturada com puro desdém. Ela respirou fundo, segurando o fone com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.

— Arthur, preste bem atenção — ela sibilou, a voz baixa, mas cortante. — Para mim, você é apenas um fantasma do passado. Não me ligue mais. Se colocar os pés nesta empresa novamente, farei questão de que Alexander destrua o que restou dos seus negócios.

Ela bateu o telefone no gancho, o peito arfando de indignação. O que ela não esperava era que, ao erguer os olhos, encontraria Alexander parado na porta da sala dele, com os braços cruzados e a expressão mais sombria do que nunca. Aqueles olhos cinzentos pareciam duas pedras de gelo antes de uma tempestade.

— Eu fui bem claro sobre não querer o nome daquele indivíduo ligado ao seu ou à minha empresa, Maya — disse ele, dando passos lentos e predatórios na direção dela. — Ele ousou ligar para cá?

— Eu resolvi a situação, senhor Vance. Não precisa se intrometer — rebateu ela, erguendo o queixo, recusando-se a abaixar a cabeça diante do tom intimidador dele.

Alexander parou a centímetros da mesa dela, inclinando-se para a frente. O perfume amadeirado dele invadiu os sentidos de Maya, trazendo de volta toda a eletricidade da noite anterior na cobertura.

— Eu não me intrometo, senhorita Rodrigues. Eu ditei as regras — sussurrou ele, os lábios perigosamente próximos ao rosto dela. — Se o seu ex-noivo acha que pode tentar reconquistar o que agora me pertence por contrato, ele está prestes a descobrir o quão impiedoso eu posso ser. E você... não brinque com o meu autocontrole. Você sabe exatamente o que faz quando me desafia.

Antes que Maya pudesse responder, o celular pessoal dela vibrou sobre a mesa com uma nova mensagem. Não era de Arthur. Era de um número desconhecido, contendo a foto de um documento antigo que fez o coração de Maya falhar uma batida. Uma mensagem vinha logo abaixo: "Seu noivo bilionário sabe o verdadeiro motivo pelo qual você aceitou esse contrato, Maya? Ou eu vou ter que contar para ele?"

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