Mundo ficciónIniciar sesiónA fachada pública tinha sido um sucesso estrondoso, mas o verdadeiro teste começou quando o motorista os deixou na entrada da cobertura duplex de Alexander, localizada no coração de Manhattan. O apartamento era o reflexo exato do dono: minimalista, luxuoso, imponente e completamente desprovido de calor caseiro.
Maya deixou sua bolsa sobre o balcão de mármore da cozinha e soltou um longo suspiro, retirando os saltos altos que massacravam seus pés.
— O seu quarto é a segunda porta à esquerda no corredor superior — informou Alexander, tirando o paletó e afrouxando a gravata com uma elegância natural. — Minha governanta já organizou os seus pertences. Você terá total liberdade aqui dentro, desde que não interfira na minha rotina.
— Excelente — respondeu Maya, cruzando os braços e encarando-o. — E quanto às regras de convivência? Seus horários, visitas...
Alexander caminhou até o bar particular e serviu-se de uma dose de bebida forte. Ele virou-se para ela, analisando-a de cima a baixo com um desapego que beirava a afronta.
— Não trago distrações para o meu ambiente de descanso, Maya. E espero o mesmo de você. Seus assuntos com o passado estão devidamente encerrados. Se eu vir o nome daquele sujeito ligado ao seu de novo, as consequências serão severas. Você agora carrega o sobrenome Vance, mesmo que temporariamente.
— Não precisa se preocupar com o Arthur. Para mim, ele morreu no instante em que entrou naquele quarto de hotel — ela rebateu, a voz firme, demonstrando a força que ele tanto admirava em segredo. — Eu cumpro a minha palavra.
— Veremos — murmurou ele, caminhando em direção às escadas. Antes de subir o primeiro degrau, ele parou e olhou para trás sobre o ombro. — Ah, e senhorita Rodrigues? Amanhã de manhã, chegue dez minutos mais cedo ao escritório. O fato de dormir sob o meu teto não lhe dá o direito de atrasar a minha agenda.
Maya cerrou os punhos, observando-o desaparecer no andar superior. Alexander Vance era um homem intragável, prepotente e egocêntrico. Mas enquanto estivesse sob aquele teto, ela usaria cada segundo para se reerguer e garantir que ninguém nunca mais a fizesse chorar. O jogo estava apenas começando.
A silhueta imponente dele sumiu no topo da escadaria, deixando para trás apenas o eco de seus passos firmes e o aroma sutil de seu perfume amadeirado. Maya soltou o ar que nem percebera que retinha, sentindo o peso do silêncio daquela cobertura esmagar seus ombros.
Ela recolheu seus sapatos e subiu as escadas de mármore branco com cautela. Ao empurrar a porta indicada, deparou-se com um aposento vasto, decorado em tons de fendi e fumaça. Uma cama king-size ocupava o centro do espaço, ladeada por imensas janelas de vidro que exibiam o horizonte iluminado de Nova York. Seus pertences estavam meticulosamente alinhados no closet espelhado. Era o quarto dos sonhos de qualquer mulher, mas para Maya, parecia uma gaiola de ouro altamente vigiada.
Após um banho demorado que serviu para lavar as tensões daquele suntuoso baile, ela vestiu uma calça de cetim confortável e deitou-se. Demorou horas para adormecer. Cada estalo daquela estrutura desconhecida a fazia lembrar que sua vida havia virado de cabeça para baixo em menos de uma semana.







