Clarice estava no ateliê, o cheiro de aguarrás ainda no ar, mas agora misturado a uma leve fragrância de lavanda vinda do sabonete que usara. O pincel, antes abandonado, estava em sua mão, mas não tocava a tela. A promessa de Leonardo, a voz rouca no telefone, ainda ecoava em seus ouvidos: "Você me guia, não é?". Guiar. Que ironia. Por tanto tempo ela se sentiu perdida, e agora ele pedia para ser guiado.
A campainha tocou, um som discreto, quase um sussurro. O coração de Clarice deu um salto qu