Semanas se passaram após o transplante de medula. Gael retornou a São Paulo com uma mistura de alívio e inquietação, mas o processo não terminara ali. Marina precisaria de monitoramento constante: exames semanais, medicação imunossupressora para evitar rejeição, e um isolamento rigoroso nos primeiros meses para prevenir infecções. Ele cobria todos os custos, mas o contato emocional ainda era mínimo — ligações curtas com a tia Lúcia, relatórios médicos por e-mail.
Elisa notava a tensão nele: noites em que ele ficava acordado olhando o teto, respostas distraídas durante o jantar.
— Você não vai ligar para ela hoje? — perguntou Elisa uma noite, enquanto preparavam um macarrão simples na cozinha do apartamento dele.
Gael mexia o molho, evitando o olhar dela.
— O médico mandou o relatório ontem. Ela está estável. Neutrófilos subindo. Sem rejeição aguda.
— Isso é ótimo — disse ela, abraçando-o por trás. — Mas eu perguntei sobre ligar para ela. Marina, não o relatório.
Ele parou, virando-se