A dor veio primeiro.
Um pulsar quente, latejante, na lateral da cabeça. Como se alguém tivesse martelado os meus pensamentos para fora do crânio. Eu tentei abrir os olhos, mas a luz — mesmo aquela luz fraca, amarelada, de uma lâmpada velha pendurada no teto — doía como navalha na retina.
Fechei os olhos de novo. Respirei fundo. O cheiro era estranho. Alga salgada. Umidade. Mofo. E por cima de tudo, aquele perfume doce, enjoativo, caro. O perfume francês. O mesmo que eu recusei usar. O mesmo que