Vitória acordou no meio da madrugada.
Não por barulho.
Não por sonho.
Acordou porque o corpo ainda não tinha aceitado o descanso.
A casa estava mergulhada em um silêncio espesso, daqueles que não acolhem. Virou de lado, puxou o lençol até o peito e fechou os olhos outra vez, tentando organizar os pensamentos como quem tenta acomodar objetos frágeis numa caixa pequena demais.
Rafael.
Helena.
A frase no carro.
O tapa de Jane no filho — inesperado, quase cômico, quase terapêutico.
Suspirou.
— Agor