O trajeto até a casa de Vitória aconteceu em silêncio. Rafael dirigia com atenção tranquila, como se aquele fosse apenas mais um compromisso a cumprir. Não era comum — Vitória tinha motorista, segurança, toda a logística que acompanhava o sobrenome Alencar. Mas, naquela noite, a decisão havia sido estratégica. Fotos demais, olhares demais. O gesto precisava parecer simples, quase íntimo. Para quem observasse de fora, era apenas o noivo atencioso levando a futura esposa para casa. Dentro do carro, no entanto, nada parecia natural. Vitória manteve o olhar fixo na janela, observando as luzes da cidade se misturarem em reflexos difusos. O vestido agora incomodava. O colar de água-marinha repousava frio sobre a pele, lembrando-a de tudo o que aquele evento representava: encenação, controle, expectativa. — Chegamos — disse Rafael, estacionando diante do portão da casa Alencar. Ela assentiu, já abrindo a porta. — Obrigada — falou, neutra. — Faz parte — respondeu ele, sem olhá-la. Vi
Ler mais