Vitória acordou com o corpo pesado e a cabeça clara demais.
Era sempre assim quando a noite deixava marcas que o sono não apagava. Não era lembranças confusas — eram lembranças precisas. O olhar de Helena. O braço de Rafael, imóvel sob o toque dela. A frase dita no corredor, ainda vibrando no ar da casa.
Ficou alguns minutos deitada, olhando o teto, escutando o silêncio amplo daquela casa que nunca parecia acordar junto com ela.
Quando se levantou, o quarto estava do mesmo jeito. Organizado.