Saulo Prado
As semanas se passaram entre idas à mansão, visitas ao Hospital Geral e algumas passagens pelo apartamento de Angelina. Os vídeos continuavam surgindo: postados, derrubados, respostados. Otávio lançou um vídeo seu, declarando-se vítima de calúnias e golpes, afirmando que não era ele nas gravações anteriores.
Assisti a cada segundo ali, na sua sala, a sua blusa branca, o semblante cansado. E, se não fosse eu, por trás de tudo aquilo, acreditaria firmemente em suas palavras: um homem de bem, viúvo, pai, avô... e agora bisavô. Um verdadeiro homem de família.
Os cartazes e a comoção do público se misturavam, intensificados quando familiares das vítimas apareciam em vídeos pedindo justiça. Até que as próprias vítimas começaram a se manifestar... mas isso, para a imprensa, era apenas mais um capítulo da narrativa de Otávio, cuidadosamente manipulada.
- Eu nunca vou te perdoar por isto! - Frantesca gritava, e eu permaneci sentado, incapaz de encará-la.
- E o que você queria que e