Mundo de ficçãoIniciar sessãoQuando acordamos estávamos com uma ressaca forte, eu não conseguia abrir os olhos direito, a claridade me incomodava. —Quem acendeu a luz? - ouvi Samara reclamar e logo depois senti ela se levantar com uma pressa e quando ela abriu a porta do banheiro correndo eu sabia o que ela iria fazer.
Ela ficou quase meia hora vomitando e depois que tudo ficou em silêncio eu ouvi a água do chuveiro caindo. — Nunca mais eu bebo. - Era sempre a mesma frase depois de um porre. — Eu estou com uma dor de cabeça. - me levantei indo a direção ao guarda roupa. Peguei um analgésico na caixinha de remédio e sai do quarto indo pra cozinha. Minha avó estava passando café e pelo jeito estava forte — Bom dia, dorminhoca.- Alegremente ela abriu o sorriso. — Bom dia... - minha voz saiu arrastada e por conta do ressecamento na garganta. Peguei um copo com água bem gelada e tomei o remédio. De imediato me deu enjoo. — Nunca mais bebo. - repito a frase de Samara. Minha avó dar uma risada que meus tímpanos pareciam está explodindo. — Nem vai no almoço então? - ela perguntou né passando uma xícara com café. — Vou sim, quero ver a dona Elizângela.- disse me sentando no banquinho que fica perto do balcão. — Ou o Henrique? - Samara entra na cozinha falando. Revirei os olhos e ouvi minha avó dizer — Eu disse que ele não era tão ruim assim. - É ela disse, mas eu não concordei e ainda sim podia ser o efeito do álcool... — Ela vai arrumar algum defeito nele, quer apostar? - Samara desafiou a minha avó e elas apostaram, se eu ficasse com o Henrique minha avó iria ganhar uma barca de sushi e se eu achar algum defeito nele a Samara iria ganhar um tarot novo. Ela é bem mística, os pais deles são umbandista e ela frequenta a quimbanda. Eu sou neutra, mas gosto sempre de fazer um jogo de tarot com ela. A menina sempre acerta tudo que vai acontecer e eu sempre fico passada. Depois da segunda xícara de café eu fui tomar um banho gelado, minha avó preparou um pai com ovo mexido pro desjejum. Eu estava faminta mas depois que terminei corri pro banheiro para vomitar, odeio ressaca. Depois do café deitamos no sofá e ficamos assistindo um canal de culinária que minha avó sempre assiste, e ficamos jogando conversar fora. As duas pessoas mais importantes da minha vida estão nessa sala, a pessoa que me criou e a irmã que algum ser do universo colocou na minha vida e eu agradeço muito a ele. Minha mãe me deixou quando eu era apenas um bebê, ela foi tentar a vida fora do país e desde então minha avó nunca mais teve notícias. Nunca nos mudamos porque minha avó diz que se ela um dia voltar estaremos no mesmo lugar. Eu acho que é esperança de mãe em vê o filho novamente, só que ela não vai voltar, não voltou até agora... Minha avó conheceu o meu pai apenas por nome, seu nome é Marcelo Franco. Nunca vi foto mas também nunca fiz questão de procurar. Acho que se ele quisesse um filho ele teria vindo a muito tempo atrás. Minha avó diz que minha mãe não contou pra ele, mas porquê ela não contaria? Não faz sentido. Minha avó nunca quis me falar muita coisa da minha mãe, só diz que ser mãe solteira é difícil, o meu avô Januário morreu quando minha mãe tinha cinco anos, ele tinha um problema no coração e se complicou, eu admiro muito a minha avó criou duas pessoas sozinha. Eu admiro muito ela e amo por isso...






