Mundo de ficçãoIniciar sessãoJá tínhamos chegado a uma hora, nenhum sinal de Henrique. Dona Elizângela veio falar conosco assim que chegamos, o almoço iria ocorrer perto da piscina, tinha algumas pessoas com trajes de banho, outras vestidas com trajes casuais.
O sítio era enorme, Samara e eu andamos perto do lago e ficamos assistindo os patinhos nadarem, de vez em quando alguns peixes pulavam para fora da água e retornavam logo em seguida. A brisa fresca batendo no nosso corpo era relaxante, o som dos pássaros cantando e os ruídos das árvores eram agradáveis de se ouvir. Da ressaca só restou a lentidão e a sede, eu nunca mais bebo do jeito que bebi ontem. — Aqui é maravilhoso. - Samara disse sentando em um banquinho que tinha em frente ao lago e eu fiz o mesmo. — Já é a segunda vez que venho aqui e sempre fico impressionada com a beleza do lugar. - falo olhando para o lago. — Quero morar em um lugar assim. - Samara fala — Meu objetivo de vida agora. Dou uma risadinha — Você e seus objetivos de vida... Meu celular toca e quando pego vejo que é Andrew, desligo. — Resolveu ignorar ele? - Samara ergue uma sobrancelha. — Resolvi tirar ele da minha vida. - quando eu disse isso ouço a voz de Henrique — Faz bem, ele não presta.- Então ele sabia... — Acho que é melhor eu ir buscar um suco. - Samara sai de fininho me deixando com ele ali. — Você está péssimo. - ele estava como uma cara amassada de quem não tinha dormido a noite. — Sabe que estou de ressaca. - ele sentou do meu lado conforme falava.— Não desconversa, eu soube ontem, ele disse que não quer que eu fique com você. - ele forçou uma risadinha. — Ele não tem o direito. - eu comecei a falar mas Henrique me cortou — Você deu esse direito a ele. - ficamos em silêncio por longos segundos até ele falar — Você tem que tirar ele da sua vida,ele não merece você... - O clima ficou um pouco tenso, eu sabia que era verdade, mas eu não conseguia dar esse passo. Todas as vezes que eu tentava ele voltava pra minha vida,eu permitia que ele voltasse. —Eu sei o que tenho que fazer, só que está sendo difícil... - O nó em minha garganta já havia se formado, era algo difícil de falar. A dor que eu sentia era quase uma dor da perda de alguém para a morte. E na verdade era mesmo, eu tenho que matar ele de dentro de mim, mas ninguém quer matar o que se ama. Amar me fez vulnerável e começar a me importar com alguém me tirou do foco. Só que ele não tem culpa das expectativas que coloquei nele, eu sabia que não era recíproco e me joguei em uma poça rasa. — Você sabe que ele tem namorada pelo menos?- eu olhei para Henrique como alguém que acabou de vê um fantasma, eu não fazia idéia do que ele acabou de falar. — Pela sua cara já vi que não... -Ele deu uma pausa significativa — Que filho da puta! - exclamou. Eu ainda estava processando a informação, não podia acreditar no que Andrew fez. Ele tem namorada, isso ficou se repetindo várias vezes na minha mente e todos nossos momentos ficou martelando na minha cabeça. Ele tem namorada, a pessoa que gosto e me entreguei, tem namorada. Como ele pôde fazer tal coisa? Mentir assim na cara dura, como? Eu só percebi que estava chorando quando Henrique passou os dedos em meu rosto para secar as lágrimas. — Eu não fazia idéia... - as palavras saíram em um sussurro, elas estavam entaladas na minha garganta. De tudo que Andrew fez me esconder isso foi a pior coisa. Se eu soubesse nem tinha começado a me interessar por ele, acho que por isso ele não falou. — Ele faz isso, sempre fez. Se eu tivesse descobrido antes eu teria te alertado, mas ele só me falou porque acha que é seu dono. - Henrique tinha razão, ele sempre agiu dessa forma. — Eu sinto muito por você ter passado por isso. - ficamos em silêncio até que ele tocou em minha mão e eu olhei pra ele. — Não caía mais no jogo dele. - soava como um pedido e de fato era. — você é incrível, Beatriz... — eu ia odiar ter que quebrar a cara do Andrew por causa de você. - a última frase me pegou de surpresa. — Não precisa se meter nessa história, o ponto final eu dei hoje. - disse tirando a minha mão do seu toque e limpando a lágrima que ainda havia no meu rosto. Eu me acalmei, vi pelo reflexo do celular que meu rosto estava um pouco inchado por causa do choro. Depois de alguns minutos conversando sobre como Andrew ferrou meu psicológico, Henrique resolveu puxar outros assuntos comigo. Vi o quanto ele é inteligente, sério e engraçado ao mesmo tempo, além de atraente é claro. Passamos bastante tempo juntos antes dele ser chamado por alguns colegas e eu retornar para perto da Samara e minha avó.






