(Ceci)
A manhã de terça amanheceu opaca. O céu de Veridiana, geralmente cortado pelo azul denso e firme, estava agora coberto por nuvens grossas, um cinza de chumbo que parecia antecipar chuva ou algo pior. No caminho para a Torre Arcturus, meu estômago revirava com uma sensação que não era fome nem ansiedade: era pressão. Silenciosa, firme, e constante.
A Torre, como sempre, permanecia imponente. Um espelho de vidro apontado para o céu, como se desafiasse as nuvens. Entrei, o crachá temporário piscando verde. Tudo seguiu como nas outras manhãs: segurança atento, recepcionista profissional, elevador que sussurra.
No 45º andar, minha estação estava exatamente como deixei. Mesa limpa, computador ligado, papel de rascunho no canto. Mas havia um envelope branco repousando ali. Sem remetente. Sem nome. Meu coração disparou por um segundo.
Abri.
Duas palavras apenas: "Cuidado, observação."
Letra idêntica à dos bilhetes anteriores. Neutra. Precisa. Fria.
Apertei os lábios, dobrei o papel e g