Início / Romance / No Lugar da Noiva / Capítulo 3 – A noiva que fugiu
Capítulo 3 – A noiva que fugiu

A mansão da família Hayes parecia perfeita do lado de fora. Fachada imponente, jardim bem cuidado, carros caros estacionados na entrada. Mas, naquela manhã, por trás das portas fechadas, o clima estava longe de ser elegante.

Era puro desespero.

Na sala principal, o senhor Hayes andava de um lado para o outro, com o celular na mão e o rosto vermelho. A gravata estava torta, o cabelo bagunçado. A elegância habitual tinha sumido.

— Isso só pode ser uma piada… — ele falava, sem conseguir parar.

A senhora Hayes, sentada no sofá, segurava uma taça de água com as mãos trêmulas. Os olhos, maquiados horas antes, já estavam borrados.

— Ela vai ligar… — repetia, mais para si mesma do que para o marido. — Deve ter acontecido alguma coisa. Elizabeth não faria isso.

Neste momento, a secretária da família, Helena, entrou na sala com cuidado, segurando um tablet.

— Senhor, eu tentei ligar novamente para a senhorita Elizabeth, mas o telefone continua desligado — informou.

O senhor Hayes parou no meio da sala.

— Desligado? Desde ontem à noite?

Helena assentiu, com expressão tensa.

— E o motorista que deveria levá-la para a prova do vestido disse que ela nunca apareceu — completou.

A senhora Hayes apertou ainda mais a taça.

— Isso não pode estar acontecendo no dia da reunião com os Kameron — ela sussurrou.

Naquele dia, não era apenas um dia qualquer. Faltavam poucas semanas para o casamento de Elizabeth com Josh Kameron, e a família Hayes ia receber representantes dos Kameron para alinhar detalhes finais do contrato.

Mas a noiva… tinha desaparecido.

Horas antes, em um apartamento bem mais simples em outro bairro, Elizabeth arrumava uma mala apressada.

— Você tem certeza disso? — perguntou Bernard, encostado na porta do quarto, visivelmente nervoso.

Ele não tinha carro de luxo, não tinha terno sob medida, nem sobrenome importante. Era apenas Bernard, um cara comum, trabalhador, que dividia a vida entre contas, bicos e sonhos.

Elizabeth, porém, o olhava como se ele fosse tudo.

— Eu nunca tive tanta certeza de algo — respondeu, jogando um último vestido dentro da mala. — Eu não vou me casar com um homem que não amo.

— Mas e sua família? — ele insistiu.

Ela parou por um segundo, respirou fundo e fechou o zíper.

— Minha família quer um negócio. Eu quero uma vida de verdade.

Bernard andou até ela, segurou o rosto da moça com cuidado.

— A vida comigo não vai ter luxo, Eliz.

Ela sorriu, com um brilho teimoso nos olhos.

— Eu não quero luxo. Eu quero liberdade.

Quando os dois saíram pela porta daquele pequeno apartamento, Elizabeth tinha certeza de que estava fazendo a escolha certa.

Na mansão Hayes, porém, o caos apenas começava.

— Se o casamento for cancelado, os Kameron vão cortar todo o apoio! — o senhor Hayes explodiu, jogando o celular no sofá. — Você tem ideia do que isso significa?

A senhora Hayes passou a mão na testa, tentando se manter calma.

— Nossa empresa vai quebrar… — falou, ainda chocada.

Eles vinham enfrentando problemas havia anos. Dívidas, investimentos errados, projetos que não deram retorno. O casamento de Elizabeth com o herdeiro Kameron era a salvação, o acordo vinha com dinheiro, contratos, influência. Sem isso, tudo iria desmoronar.

— Eu avisei que ela estava estranha nos últimos meses… — a mãe falou, tentando segurar as lágrimas. — Falava de liberdade, de não querer ser usada como moeda de troca…

— E você deixava passar! — o pai rebateu. — Agora veja o que aconteceu!

Helena, a secretária, continuava de pé, calada, mas prestando atenção em cada palavra.

— Senhor… — ela tentou dizer.

— O que foi? — ele perguntou, sem paciência.

— Talvez ainda haja uma saída.

Os dois se viraram ao mesmo tempo.

— Que saída? — a senhora Hayes perguntou, com esperança e medo misturados.

Helena respirou fundo.

— O senhor se lembra que me pediu para encontrar uma jovem parecida com sua filha caso o plano A desse errado? A jovem foi até a entrevista da agência ontem. Ela é o plano B, lembra?

A senhora Hayes franziu a testa, tentando lembrar.

— Aquela… como era o nome?

— Maya — respondeu Helena. — Maya Storm.

O senhor Hayes fez uma expressão impaciente.

— E o que vamos fazer com essa moça? Isso é loucura.

A secretária segurou o tablet com mais firmeza.

— Ela… é idêntica à senhorita Elizabeth. E pelo que pesquisei está precisando de dinheiro… muito dinheiro. Ela é perfeita para ser a substituta.

O silêncio tomou conta da sala por alguns segundos.

— Isso é exagero — a senhora Hayes disse, num primeiro momento, balançando a cabeça.

— Não é — Helena insistiu. — Quando ela entrou na sala, eu mesma demorei alguns segundos para acreditar que não era a senhorita Elizabeth. A jovem tem a mesma idade, vinte e três anos, mesma altura, mesma estrutura de rosto. Se mudarem o cabelo e as roupas… ou podem dizer que é uma filha adotiva.

Ela não precisou falar mais. Os olhos do senhor Hayes se estreitaram.

— Você está sugerindo… que coloquemos o plano B em andamento?!

Helena engoliu em seco.

— Estou sugerindo que a façamos passar por filha adotiva. Essa posição poderia ser explicada pela semelhança. É arriscado, eu sei, mas… temos uma substituta.

A senhora Hayes olhou para o marido.

— Se o casamento for cancelado, estamos acabados — ela sussurrou.

Ele começou a caminhar pela sala de novo, dessa vez mais devagar, pensando.

— Uma filha adotada… — repetiu, em voz baixa. — Criada como nossa… que sempre mantivemos longe dos holofotes…

— Justamente — completou Helena. — A família Kameron já está envolvida até o pescoço nesse acordo. Eles não vão querer um escândalo. Uma solução rápida pode interessá-los mais do que uma ruptura.

A senhora Hayes apertou as mãos.

— Ela aceitaria isso? — perguntou, incerta. — Uma coisa é uma entrevista para um trabalho bem pago… outra é entrar em um casamento no lugar de outra mulher.

— Como eu disse — respondeu Helena, com cuidado — ela está desesperada por dinheiro. A família é humilde, tem dívidas altas… principalmente despesas médicas da mãe.

Um brilho diferente surgiu no olhar do senhor Hayes.

— Desespero é o que torna uma pessoa flexível.

A esposa olhou para ele, chocada.

— Acho que…

— Você prefere o quê? — ele rebateu, sem rodeios. — Perder tudo o que temos, ver nossa empresa falir, nossa posição desaparecer… porque nossa filha decidiu fugir com um qualquer?

Aquela frase doeu ainda mais porque era verdade, eles tinham colocado todo o futuro nas mãos daquela aliança com os Kameron.

A senhora Hayes levou a mão ao peito.

— Eu só… não consigo acreditar que Elizabeth fez isso com a gente.

Helena, percebendo que o momento era crítico, deu um passo à frente.

— Eu posso entrar em contato com a senhorita Maya e trazê-la até aqui de novo.

Os olhos do senhor Hayes se firmaram.

— Faça isso.

A secretária assentiu, saiu da sala e pegou o celular assim que fechou a porta. Minutos depois, ligou para Maya, que estava em casa, ajudando a mãe com os remédios.

— Alô?

— Senhorita Maya? Aqui é da Agência Hayes. Precisamos que compareça à mansão. É sobre a proposta de trabalho… ela foi aprovada para uma fase ainda mais importante.

Maya, do outro lado da linha, sentiu o coração disparar.

— Eu… claro. Quando?

— Ainda hoje, se possível.

Algumas horas depois, um carro preto que ela nunca teria coragem de chamar entrou na rua simples onde morava. Vizinhos olharam pela janela, curiosos. A mãe de Maya, sentada na sala, arregalou os olhos.

— Que isso, minha filha?

Maya respirou fundo.

— É… é sobre aquele trabalho, mãe.

Ela beijou a testa da mãe e prometeu que ligaria assim que soubesse de algo concreto. Em seguida, entrou no carro, tentando não ficar olhando para o estofado de couro nem para o motorista de terno.

Quando chegou à mansão Hayes, sentiu as pernas tremerem. Por dentro, tudo era maior do que qualquer coisa que já tinha visto: lustres enormes, escadas largas, quadros caros nas paredes.

— Por aqui, senhorita — disse um funcionário, guiando-a até uma sala.

Ela entrou e viu o casal Hayes sentado lado a lado em um sofá, com expressões sérias. Não havia formalidade. Havia urgência.

— Sente-se, por favor — disse o senhor Hayes, indicando a poltrona à frente.

Maya obedeceu, tentando manter a calma, mesmo com o coração disparado.

— Senhorita Maya — ele começou, cruzando as mãos. — Nós temos uma proposta que pode resolver todos os seus problemas financeiros.

Ela engoliu em seco.

— Problemas financeiros…? — repetiu, surpresa.

— Sabemos que sua mãe está doente, que há uma dívida alta de hospital, e que seu pai não pode trabalhar — continuou ele, sem rodeios. — Nós podemos resolver tudo isso.

Maya apertou as mãos uma na outra.

— Eu… não entendo. Que tipo de proposta é essa?

A senhora Hayes inclinou o corpo para frente. O sorriso nos lábios era frio, mas os olhos brilhavam com decisão.

— Queremos que você se case no lugar da nossa filha.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App