Heloísa
O visor do celular apaga, mas o sorriso no meu rosto permanece. "Estou saindo", diz a mensagem de Otávio. É o sinal verde. O tabuleiro está montado e as peças começam a se mover.
Olho-me uma última vez no espelho. O vestido de seda vinho não apenas me veste; ele me anuncia. O brilho do tecido capta a luz baixa do quarto, revelando e escondendo na medida exata para deslocar certezas. Não sou a "garotinha" de ninguém hoje. Sou a mulher que Heitor Valente não teve coragem de reivindicar.
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