Arthur
O dia seguinte nasce limpo demais para o que carrego por dentro.
Do alto do meu escritório, a cidade se estende como uma maquete obediente. Vidro, aço, concreto, movimento. Tudo funciona. Tudo responde. Tudo segue a lógica que eu imponho. O prédio que leva meu nome reflete o sol da manhã como um troféu silencioso. Aqui, nada entra sem autorização. Nada acontece sem cálculo.
Peço à secretária que chame Lucas. Não explico o motivo. Não justifico. Apenas peço. Ela obedece — todos obedecem a