Eu devo ter me apaixonado pelo meu algoz.
O “quase” é o problema.
O banheiro ainda está quente. O ar denso. O espelho embaçado devolve imagens distorcidas de nós dois — próximos demais, mesmo sem tocar.
— Sente-se na privada — digo. — Devagar.
Ela tenta obedecer. Dá um passo. O pé escorrega de novo, mínimo, mas suficiente.
E então não há escolha.
Seguro.
Minha mão vai à cintura dela com precisão antiga, automática, como se tivesse feito isso milhares de vezes. O que, tecnicamente, eu fiz. Só que em circunstâncias menos… escorregadias.