Arthur
Saio do prédio sem olhar para trás. O som distante das sirenes não me alcança de verdade — tudo chega abafado, como se eu estivesse submerso em um oceano de culpa que eu já havia aceitado carregar. O zumbido constante nos ouvidos não cessa, uma melodia infernal que acompanhava cada batida do meu coração, mesmo quando eu já havia decidido perdoá-la. O ar da noite, que antes eu buscava para me acalmar, agora parece rarefeito demais para os meus pulmões, como se o próprio oxigênio se recusa