O salão subterrâneo era mais antigo que qualquer memória de lobo. Escavado nas entranhas da terra, parecia vivo, como se as paredes respirassem e pulsassem sob a chama negra das tochas que queimavam sem consumir madeira. No centro, círculos de runas ancestrais brilhavam em vermelho profundo, formando símbolos que jamais deveriam ser vistos por olhos mortais.
Magnos ajoelhou-se diante deles. O suor escorria por sua pele, mesmo que o ambiente fosse gélido. O ar ali era pesado, como se estivesse saturado de gritos antigos. A cada respiração, ele sentia o gosto amargo de sangue e enxofre.
Do círculo surgiu uma voz. Grave, rouca, multiplicada, como se centenas de bocas falassem ao mesmo tempo.
— Magnos.
Ele ergueu o olhar, reverente e arrogante ao mesmo tempo.
— Meu senhor.
As sombras do círculo se agitaram, moldando-se lentamente até que uma forma humanoide emergisse. Era alta, desproporcional, com ossos que se alongavam de forma antinatural. A pele parecia feita de cinzas, os olhos ardi