A noite estava silenciosa demais. Nem o vento ousava se mover sobre o refúgio dos híbridos, como se até mesmo a natureza tivesse prendido a respiração. Michael, irmão de Annabelle, observava do alto da muralha improvisada, seus olhos atentos percorrendo a floresta escura que se estendia diante deles.
Atrás dele, Hannah embalava nos braços a criança de Azaleia e César. O bebê ressonava suavemente, alheio ao perigo que cercava o mundo ao seu redor. Havia algo de puro e sereno em seu sono, como se fosse um lembrete de que a esperança ainda existia, mesmo quando a escuridão se erguia.
Mas Michael não conseguia descansar. O ar estava pesado, carregado com uma energia estranha, quase palpável. Era como se milhares de olhos invisíveis os observassem, esperando o momento certo para atacar.
Ele apertou o punho em torno da lança que carregava.
— Hannah… — murmurou. — Você sente isso?
Ela ergueu o olhar, os olhos claros refletindo a luz das tochas.
— Sinto. É como se algo rastejasse lá fora. C