Mundo de ficçãoIniciar sessãoUm Alfa em coma. Uma Luna em pedaços. Um inimigo entre nós. Dominic, o temido e implacável Alfa do Santuário, sacrificou tudo para salvar Jade de uma armadilha mortal. Agora, ele está preso no "Exílio" — um abismo mental onde a alma dos lobos morre no silêncio. Enquanto seu corpo definha em uma cama de hospital, o bando racha sob a ambição de traidores que querem ver Jade destruída. Culpada e sozinha, Jade acredita ser a causa da ruína do homem que ama. Mas o que ninguém sabe é que ela carrega o segredo que pode salvar a linhagem dos lobos renegados: ela está grávida. Agora, a "humana" frágil que todos desprezavam precisa despertar a fera dentro de si. Para proteger seu filho e trazer seu Alfa de volta do inferno, Jade terá que provar que o amor de uma Luna é mais letal que qualquer poção de prata.
Ler maisAcordar com o lençol de seda grudado entre as minhas pernas é a minha nova rotina favorita. E a mais odiada também.
Abri os olhos devagar, sentindo o coração martelar contra as costelas. Meu quarto é o ápice do luxo da Matilha da Lua Prateada: móveis de carvalho branco, cortinas que custam o preço de um carro popular e um cheiro insuportável de lavanda que as criadas borrifam para "acalmar meus nervos". Mal sabem elas que o que eu sinto não se acalma com ervas; se acalma com dentes. — Merda — sussurrei, passando a mão pelo rosto suado. O sonho de novo. O mesmo homem. O mesmo par de olhos cinzas que pareciam me despir e me reconstruir em segundos. No sonho, eu não sou a "Princesa Jade". Eu sou uma fêmea sendo prensada contra uma árvore, sentindo o peso de um corpo bruto, o rosnado vibrando no meu pescoço e uma dor deliciosa que me faz acordar com o corpo latejando de frustração. Eu tenho vinte e um anos e, tecnicamente, sou a loba mais cobiçada de três territórios. Mas, na prática? Eu sou um ativo financeiro. Um pedaço de carne com pedigree que o meu pai, o Alpha Silas, pretende leiloar para o maior lance em nome da "paz entre as espécies". Levantei da cama e me encarei no espelho de corpo inteiro. Cabelos perfeitos, pele impecável, olhos que fingem obediência. Por fora, eu sou a noiva que todo Beta sonha em ter no altar. Por dentro, eu sou um vulcão prestes a cuspir lava em todo esse protocolo ridículo. — Jade? — A voz da minha mãe, acompanhada por três batidas rítmicas na porta, me trouxe de volta à realidade cinzenta. — O café será servido em dez minutos. O Conselho está à mesa. Não se atrase. E, por favor, use o vestido azul. O Caleb gosta de azul. — O Caleb pode ir para o inferno — murmurei para o espelho. — O que disse, querida? — Já estou indo, mamãe! — gritei, forçando minha melhor voz de "filha dedicada". Minha rotina é um ciclo de tortura psicológica gourmet. Eu desço as escadas, sento à mesa e escuto meu pai falar sobre fronteiras, impostos de caça e o quanto o Caleb — o herdeiro com cara de fuinha da Matilha de Ferro — é uma "escolha sólida". Entrei na sala de jantar e o cheiro de café e bacon foi atropelado pelo odor de testosterona velha dos anciãos do Conselho. Silas, meu pai, nem levantou os olhos do tablet. — Atrasada dois minutos — ele disse, a voz fria como o clima de inverno. — Sente-se. Temos muito o que alinhar sobre o banquete de noivado. — Bom dia para você também, pai — respondi, puxando a cadeira com um rangido proposital. Minha mãe me lançou um olhar de advertência. Ela vive para manter as aparências, uma loba que aceitou abaixar a cabeça há tanto tempo que acho que a coluna dela já cresceu torta. — Caleb enviou flores hoje cedo — meu pai continuou, ignorando meu sarcasmo. — Ele quer levar você para visitar as minas de ferro amanhã. É uma oportunidade de você entender o patrimônio que vai gerenciar ao lado dele. — Visitar minas de ferro. Uau. Que romântico — peguei uma faca de prata e comecei a passar manteiga na torrada como se estivesse esfaqueando alguém. — Talvez a gente possa escolher a cor das picaretas juntos. — Jade, chega — Silas finalmente me olhou. Seus olhos de Alfa brilharam, uma tentativa de me dominar pelo medo. — Você vai sorrir, vai colocar aquele vestido e vai agir como a Luna que foi criada para ser. Você tem ideia de quantas fêmeas matariam para estar no seu lugar? — Então dê o meu lugar para uma delas. Eu ficaria feliz em ser a loba solitária limpando o chão da biblioteca, desde que não tivesse que aguentar o cheiro de incenso e prepotência do Caleb no meu pescoço todas as noites. O silêncio que se seguiu foi denso. Minha mãe parou de respirar. Silas largou o tablet e se inclinou na minha direção. — Você não tem escolha. Sua marca ainda não apareceu, o que significa que o destino te deu um passe livre para ser útil à sua família. Você vai se casar com o herdeiro de Ferro porque é isso que mantém o nosso sangue seguro. Entendido? "Útil". "Sangue seguro". As palavras dele soavam como correntes batendo no chão. O que eles não entendem é que, enquanto eles planejam o meu futuro em escritórios com ar-condicionado, meu lobo interior está uivando no escuro. Minha loba não quer o herdeiro de Ferro. Ela não quer um casamento de contrato. Ela quer o homem dos meus sonhos — o monstro que me faz acordar com os dedos cravados no colchão e o desejo queimando entre as pernas. Saí da mesa sem pedir licença. Eu precisava de ar. Corri para a parte de trás da propriedade, onde a floresta começa a ficar fechada o suficiente para que os seguranças não consigam me vigiar sem se esforçar muito. Eu me encostei em uma árvore de carvalho velha e respirei fundo. O cheiro da terra úmida era a única coisa que me acalmava. Fechei os olhos por um segundo e, instantaneamente, a imagem dele voltou. Aqueles olhos cinzas. O jeito que ele me olhava no sonho não era com "respeito" ou "carinho". Era com fome. Uma fome bruta, possessiva, que fazia meu sangue ferver. Eu levei a mão ao meu pescoço, exatamente onde ele costumava morder no sonho. A pele ali parecia quente, quase elétrica. Eu sentia que algo estava mudando no meu corpo. Aos vinte e um anos, a maioria das lobas já tinha sua marca ou seu parceiro. O fato de eu estar "vazia" era o que me tornava a moeda de troca perfeita. Mas e se eu não estivesse vazia? E se o dono daqueles olhos cinzas fosse real? Um estalo de galho me fez abrir os olhos. Meu corpo ficou tenso instantaneamente. Meus instintos, que Silas sempre tentou suprimir com aulas de etiqueta, gritaram um alerta vermelho. — Quem está aí? — perguntei, a voz saindo mais como um desafio do que como uma pergunta. Ninguém respondeu, mas o cheiro... o cheiro mudou. Não era mais o pinheiro da nossa floresta. Era algo metálico, como ozônio antes de uma tempestade, misturado com sândalo e algo que cheirava a perigo puro. Era o cheiro do meu sonho. Meu coração disparou. Eu devia correr de volta para a mansão. Devia chamar os guardas. Mas, em vez disso, eu dei um passo em direção à escuridão das árvores. — Aparece, seu covarde — provoquei, sentindo um arrepio de antecipação que não tinha nada a ver com medo. No fundo da floresta, vi apenas um vulto. Uma silhueta massiva, ombros largos demais para um humano comum, olhos que brilharam em um tom de cinza metálico antes de desaparecerem entre as sombras. Eu fiquei ali, parada, com o peito subindo e descendo. Eles queriam me casar com um cordeiro vestido de Alfa. Mas a floresta estava me mostrando que o lobo que eu desejava estava lá fora, me observando, esperando o momento certo para rasgar o meu véu de noiva e me mostrar o que é ser possuída de verdade. — Dez dias, Jade — sussurrei para mim mesma, sentindo o calor se espalhar pelo meu ventre. — Você só tem mais dez dias de liberdade. Ou talvez, dez dias até que o caos finalmente me encontrasse.O Santuário silenciou por volta das três da manhã, mas era uma calmaria falsa, densa como o ar antes de um bombardeio. Nos perímetros externos, a equipe de Williams trabalhava na instalação dos novos sensores que Jade havia planejado. A central de energia do subsolo operava com metade das luzes apagadas para poupar geradores. Era o cenário perfeito. A distração que Kael precisava estava montada. Kael moveu-se pelas sombras dos corredores da ala médica com a precisão de um fantasma. Ele usava luvas de couro tático e trazia, escondida no bolso interno de sua jaqueta, a seringa carregada com o extrato azul-escuro de acônito e prata líquida. Seus batedores leais haviam sabotado temporariamente a frequência dos rádios de segurança daquela ala, garantindo que nenhum aviso chegasse a Williams. Ele empurrou a porta da UTI subterrânea. O clique foi quase imperceptível. A penumbra azulada das telas dos monitores desenhava silhuetas fantasmagóricas nas paredes de concreto. No leito, a figur
O som do tecido verde-esmeralda do vestido de Jade arrastando pelo chão de concreto da ala médica era o único ruído que quebrava o silêncio pesado do subsolo. Ela havia saído da Sala do Conselho caminhando como uma rainha, mantendo a espinha ereta e o queixo erguido até que a última porta pesada se fechasse atrás de si. Mas agora, no isolamento do corredor que levava à UTI de Dominic, ela se permitiu soltar o ar que parecia preso em seus pulmões há horas. Jade empurrou a porta do quarto médico com cuidado. O ambiente estava imerso em uma penumbra azulada, iluminado apenas pelas telas digitais dos monitores e pelo foco suave de uma luminária de canto. O cheiro ali era uma mistura de antisséptico com o aroma natural e amadeirado de Dominic — um cheiro que agora estava muito mais forte, denso e vivo. Ela se aproximou do leito lentamente, as botas de combate fazendo um som abafado. Dominic estava deitado, o lençol cirúrgico cobrindo-o até o peito. A respiração dele era lenta, compass
No núcleo mais profundo do Exílio, a escuridão não era mais um oceano estável; era um campo de batalha prestes a colapsar. Dominic estava agachado sobre a cinza estéril, os músculos da sua forma astral tensionados como molas de aço prontas para o disparo. Lá no alto, o elo de companheirismo não pulsava mais como uma estrela distante. A marca de Jade havia se transformado em um sol de alta voltagem. A vitória política dela na Sala do Conselho, a submissão dos anciãos e a pura convicção que agora corria em suas veias haviam injetado uma quantidade massiva de energia no vínculo espiritual deles. O brilho violeta e prata era tão violento que rasgava as sombras, iluminando cada canto daquele deserto mental com a intensidade de um raio contínuo. A barreira invisível de mercúrio e prata, que antes o prendia no fundo do coma, começou a estalar. Rachaduras de luz pura cortaram a superfície do bloqueio. — É agora, Jade — Dominic rosnou, os olhos Alfas brilhando em um vermelho carmesim ab
O som das portas duplas de carvalho se fechando às suas costas pareceu o estalo de um chicote na cara de Kael. Ele estava parado no corredor de pedra, o peito arfando, os punhos cerrados com tanta força que suas unhas cortavam a palma das mãos. O ar nos pulmões parecia puro ácido. Humilhado. Ele, que havia planejado cada passo, que havia passado noites em claro costurando alianças com os batedores mais antigos e alimentando a dúvida na mente dos anciãos, tinha sido encurralado e escorraçado. E não por Williams. Não por um exército. Mas por ela. — Desgraçada... — Kael sibilou, a voz saindo como um rosnado animal baixo que fez os dois guardas no corredor se encolherem, dando um passo para trás. Ele começou a caminhar em direção à ala leste, a parte mais isolada do bunker subterrâneo. Seus passos não eram mais os de um comandante confiante; eram os de um predador ferido, manco de orgulho, mas dez vezes mais letal. A raiva que subia por seu pescoço era uma onda de calor sufocante.





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