Mundo ficciónIniciar sesiónSubi as escadas da mansão como se estivesse fugindo de um incêndio, mas o fogo não estava atrás de mim; estava dentro.
Bati a porta do meu quarto e girei a chave, encostando a testa na madeira fria enquanto tentava controlar a respiração. Meus pulmões pareciam pequenos demais para a quantidade de oxigênio que eu precisava. O cheiro de Caleb ainda estava em mim — aquele rastro de colônia barata e arrogância — mas a imagem de Dominic na floresta tinha queimado qualquer outra lembrança. — Ele é real — sussurrei para o vazio do quarto, minhas mãos tateando o tecido de seda azul do vestido como se quisesse arrancá-lo da pele. — Ele não é um delírio da minha porra de subconsciente. Caminhei até o banheiro e liguei o chuveiro no máximo, na temperatura mais quente que consegui suportar. Precisava tirar o toque de Caleb do meu corpo, mas, principalmente, precisava esfriar o rastro de calor que a simples presença de Dominic tinha deixado no meu ventre. Enquanto a água fervendo batia nos meus ombros, o nome dele ecoava na minha mente como um trovão. Dominic. Na nossa matilha, o nome dele era usado para calar crianças desobedientes. "Comporte-se ou o Lobo Renegado virá te buscar". Dominic não era apenas um Alfa expulso; ele era a personificação da falha no sistema perfeito das matilhas. Há dez anos, ele era o herdeiro prodígio da Matilha do Eclipse, destinado a ser o maior líder da nossa geração. Mas Dominic era… demais. Selvagem demais, violento demais, independente demais para os velhos decrépitos do Conselho. Diziam que ele tinha massacrado metade da própria linhagem em uma noite de lua cheia porque se recusou a aceitar um casamento político. Diziam que ele tinha sido executado em uma clareira, com prata atravessando o coração. A história oficial era que ele estava morto. Uma mancha na história lupina que foi devidamente apagada. — Mentira — sibilei, passando o sabonete com força nos braços. — Tudo o que meu pai me contou é uma mentira deslavada. Se Dominic estava vivo, o Conselho estava em perigo. E se ele estava aqui, me observando, o perigo tinha um alvo: eu. Saí do banho e não coloquei as camisolas de renda que minha mãe comprava. Peguei uma camiseta preta velha, larga o suficiente para eu me esconder, e me joguei na cama. Mas o sono era um luxo que eu não teria. Fechei os olhos e lá estava ele. A imagem dele na floresta não saía da minha retina. Dominic não tinha a beleza polida de Caleb. Ele tinha uma beleza agressiva. Cicatrizes que contavam histórias de batalhas que os lobos da cidade nem sonhavam em lutar. Ombros que pareciam carregar o peso de um mundo inteiro e olhos… aqueles olhos cinzas metálicos que pareciam ler meus pensamentos mais sujos. Meu corpo reagiu instantaneamente. Senti um latejo rítmico entre as minhas pernas, uma umidade traidora que me fazia odiar minha própria biologia. — Por que com ele? — perguntei ao teto, sentindo uma lágrima de frustração escorrer. — Por que eu não sinto nada pelo cara que vai ser meu marido, mas fico pronta para um criminoso que nem abriu a boca para mim? A resposta era óbvia, mas eu tinha medo de admitir. Dominic era o caos que minha loba interna clamava. Ele representava tudo o que me proibiram de ser: livre, letal e indomável. Levantei da cama, inquieta. Abri a gaveta do meu criado-mudo e tirei um tablet que eu escondia sob o fundo falso. Era meu único acesso ao mundo sem o filtro de censura do meu pai. Comecei a digitar nos fóruns clandestinos da rede sobrenatural, buscando qualquer rastro de "Lobo de Sândalo" ou "O Alfa do Eclipse". Os resultados eram fragmentos de pesadelos: "Ele não lidera uma matilha, ele lidera um exército de exilados." "Dominic não mata por território, ele mata por honra." "Cuidado se ele sentir seu cheiro; você nunca mais será a mesma." Um calafrio de excitação, e não de medo, percorreu minha espinha. Li sobre como ele tinha desafiado três Alfas supremos simultaneamente e saído caminhando sobre os corpos deles. Li sobre como ele tratava suas fêmeas — não como troféus, mas como rainhas guerreiras. Minha mente começou a viajar. Imaginei Dominic invadindo este quarto. Imaginei aquelas mãos grandes e calejadas segurando meu rosto com a mesma força que ele usava para esmagar crânios. Imaginei o que ele faria se me visse agora, com essa camiseta fina, pensando nele. A fantasia se tornou vívida demais. Fechei os olhos e, por um momento, jurei que podia sentir o cheiro de ozônio e tempestade no quarto. Levei minha mão para baixo, deslizando os dedos por baixo da camiseta. Eu precisava de alívio. Precisava tirar essa tensão que estava me deixando louca. — Dominic… — o nome escapou dos meus lábios em um suspiro rouco. Eu me toquei pensando na brutalidade dele, no jeito que ele olhou para mim na floresta, como se soubesse exatamente o que eu estava fazendo agora. Cada movimento dos meus dedos era uma prece silenciosa para que ele voltasse. Para que ele me tirasse desse castelo de vidro antes que Caleb me marcasse com sua mediocridade. O prazer veio rápido e violento, me deixando sem fôlego e com o coração disparado. Mas a satisfação durou pouco. Assim que recuperei os sentidos, o peso da realidade voltou. Eu estava noiva. O banquete era em poucos dias. E Dominic, o fantasma, o renegado, o monstro dos meus sonhos, estava lá fora, nas sombras, jogando um jogo que eu ainda não entendia. Caminhei até a janela e olhei para a floresta escura. A segurança da mansão era pesada — lasers, guardas armados, sensores de movimento. Mas eu sabia, no fundo do meu DNA, que nenhuma daquelas merdas tecnológicas pararia um lobo como ele. — Se você vier me buscar — murmurei para a escuridão, sentindo uma coragem suicida crescer no meu peito —, é melhor vir preparado para lutar. Porque eu não vou ser uma boneca nem para o Caleb, nem para você. De repente, um movimento na linha das árvores chamou minha atenção. Um par de olhos brilhou por um milésimo de segundo. Não era o cinza de Dominic. Era algo mais baixo, mais furtivo. Um rosnado baixo, vindo de algum lugar perto dos estábulos, ecoou pela noite. O alarme da propriedade não disparou. Os guardas não se moveram. Algo estava errado. Dominic não era o único na floresta hoje. Senti meu sangue esfriar. O jogo tinha começado, e eu era a peça principal no tabuleiro. Se eu quisesse sobreviver a esta semana sem me tornar a "propriedade" de Caleb ou um cadáver na floresta, eu precisava parar de ser a vítima dessa história. Peguei uma faca de caça que guardava escondida atrás do guarda-roupa. O peso do metal na minha mão me trouxe um conforto estranho. — Pode vir, Dominic. Pode vir, Caleb. — sibilei, os olhos fixos na mata. — Vamos ver quem morde mais forte.






