01

Naomi Marck

Depois de seis aulas no período da manhã na faculdade, voltei para casa de táxi. Vim com o Peter, mas ele ficaria para o jogo. Não iria assistir como de costume, pois precisava de um banho antes da prova que me aguardava no segundo período.

Ao chegar em casa, fui surpreendida ao ver meus pais sentados na sala.

Como diabos eles chegaram tão rápido da Suíça?

— Filha! — mamãe diz, me abraçando forte.

— Oi, mãe — respondo com a voz abafada, espremida entre seus seios.

— Filhota! — papai diz em seguida, me envolvendo num abraço apertado. — Onde está o Peter?

Jesus…

— AUBREEEEEY! — grito.

Ela surge da cozinha segurando uma panela de brigadeiro.

— Pra você, maninha — diz, toda manhosa.

— Você não vai me comprar com brigadeiro. — Olho para a panela. — Vou comer esse brigadeiro aqui e depois eu te mato. — Pego a panela de suas mãos e me jogo no sofá.

— Também te amo. — ela responde, satisfeita.

— Cadê o Peter? — mamãe pergunta novamente.

A porta se abre, e meu namorado de mentirinha entra.

— Ouvi meu nome? — ele pergunta sorridente, largando a mochila no chão.

— PETER! — Dona Clarice e o senhor Frederico dizem em uníssono, indo abraçá-lo.

— Que recepção. — lembra ele, rindo.

— E o jogo? — pergunto com a boca cheia de brigadeiro.

— Adiado para o segundo turno. — Ele pisca. — Tudo para que você consiga me assistir, meu amor.

— Hum… — murmuro.

— Fico muito feliz que vocês estejam namorando — mamãe diz, com os olhos brilhando.

— Aubrey… — Peter a repreende com o olhar.

— Desculpa, cunhadinho.

— Essa aí tem a boca grande demais. — comento.

— Percebi. — Peter murmura.

— Precisamos fazer o ritual da família. — papai anuncia, me assustando.

— Vou ligar para todos. — mamãe completa.

Engasgo.

— Ei, calma aí. Eu e o Peter ainda estamos nos conhecendo. — tento argumentar, desesperada para afastar essa tradição que, aos olhos de qualquer pessoa normal, é uma grande loucura.

— Bobinha, vocês já se conhecem há anos. — Aubrey se intromete.

— Amor, só deixa acontecer. — Peter diz, me abraçando de lado.

— Tá bom… — acabado cedendo.

Ele deposita um selinho nos meus lábios melados de chocolate.

— Ai, que fofos — mamãe suspira.

Sub: Isso vai dar muita merda.

Mamãe foi para o escritório ligar para os familiares, papai saiu para contratar buffet e bebidas, e minha querida irmã ficou responsável por preparar meu look e o do Peter.

Minha família é completamente louca.

— Não me olhe assim. — Peter diz. — Você que quis isso.

A campainha toca. Peter vai atender, e eu continuo atacando meu brigadeiro.

— Soube da novidade. Parabéns, Peter. — Deivd diz ao entrar.

Meu coração congela, para, pula para fora do peito, vai a Marte e volta quando reconheço sua voz. Por que diabos eu tive que contar dele durante a escola e até agora, mesmo ele sendo noivo da minha irmã. Que droga!!!

— Obrigado. — Peter responde, seco.

— Vai passar pelo ritual para entrar oficialmente na família. — Deivd diz, esnobe.

— Oficialmente, eu já sou da família como melhor amigo da Naomi. Mas agora farei apenas o ritual de transição. Meus bisavós também eram amigos e acabaram namorando e se casando. — Peter retruca, confiante.

A expressão de Deivd muda para surpresa. Ele não sabe quase nada sobre nossa família. Peter é o esperto aqui.

— Amooor! — Aubrey desce as escadas correndo e pula nos braços dele.

Fico feliz por vê-la feliz. Espero que continue assim por muito tempo.

— Oi… — ele responde, ríspido.

— Naomi e Peter estão juntos. Não é incrível? — ela diz animada.

— Sim… incrível. — ele responde, irônico.

Sub: Que porra é essa? Esse cara tá com ciúmes?

— Todos confirmaram presença no ritual. Vai ser daqui a três dias. — Aubrey comenta, tentando quebrar o clima.

— Já?! — Deivd pergunta, indignado.

— Sim! — ela responde, sorrindo.

— O nosso demorou sete meses. — ele retruca, irritado.

— Porque eles se conhecem desde pequenos. Toda a família conhece o Peter, inclusive a família dele. Com a gente foi diferente. Precisávamos ter certeza de que você era o cara certo. — Aubrey explica.

Mas o rosto de Deivd deixa claro que ele não está nada contente.

— Como já disse, farei apenas a transição: de melhor amigo para namorado oficialmente. — Peter alfineta.

A frustração de Deivd é visível. E Peter está claramente se divertindo com isso.

— Deivd, você precisa entender. Essa é a tradição da família. — Aubrey diz, irritada.

— Tradição muito louca isso sim. Não sei por que aceitei participar dessa palha…

— Não termine essa frase. — corto. — Não seja burro o suficiente para terminar essa frase e acabar com o seu noivado.

Aubrey fica imóvel, como se não acreditasse no que estava acontecendo.

— Vou para a empresa. — ela diz, antes de sair batendo a porta.

Esse Deivd é idiota ou o quê? E eu acabando sentindo que o encanto está indo embora. Hoje ele tirou o dia para destratar minha irmã.

— Acho melhor ir atrás dela antes que ela anule sua entrada na família. — Peter alerta.

— Como assim? — o bocó pergunta.

— Ela pode terminar com você, e sua aprovação familiar será anulada, cancelada, rasgada e jogada fora. Entendeu ou quer que eu desenhe? Diga adeus aos investimentos que você tanto gosta. — Peter perde a paciência.

Deivd sai correndo atrás dela.

Peter se senta ao meu lado, pega a colher da minha mão e come meu brigadeiro.

— Ei! — dou um murro fraco em seu braço.

— Somos namorados. Tem que dividir comigo. — ele ri.

— Deus mandou dividir o pão, não o brigadeiro. — reclamo, puxando a panela de volta.

— Não seja maldosa, Naomi. — ele diz, se preparando para me fazer cócegas.

— Tá bom, eu me rendo! — entrego a panela.

— Pode comer comigo, não precisa me dar tudo. — Ele diz levando a colher com brigadeiro até minha boca.

Peter é um fofo em está fazendo tudo isso por mim, ele é um amigão de verdade.

Sub: Acho que ele te ama.

Claro que me ama, eu também o amor, faria tudo por ele. Nossa história é desde a infância, vivemos muitas coisas juntos.

Sub: Bobinha, não perceb

e o que está bem debaixo do seu nariz. Mas deixa passar, só espero que não se arrependa algum dia, afinal a fila anda, a catraca gira e o mundo da voltas.

{…}

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