Mundo de ficçãoIniciar sessãoPeter Darcyk
Eu estava adorando a frustração estampada no rosto de Deivd. Confesso: estava me divertindo mais do que deveria. Ver aquele cara perdendo o controle me dava um certo prazer — não só porque ele merecia, mas porque, no fundo, eu sabia que estava ganhando espaço onde ele nunca percebeu que estava perdendo.
Era uma pena ele ter estragado tudo da pior forma possível.
Aubrey saiu de casa completamente abalada. Apesar disso, eu sabia que ela o amava. Aubrey sempre perdoava. Sempre acreditava no melhor das pessoas. Era doce demais para enxergar quem realmente estava ao seu lado.
Naomi e Aubrey tinham algo em comum: eram duas idiotas apaixonadas por um crápula.
Jesus…
— Está pensando em quê? — Naomi pergunta, me encarando com atenção.
Desvio o olhar por um instante.
— Se eu fizer a transição… como vamos acabar com esse namoro depois?
Ela suspira e começa a andar de um lado para o outro, inquieta.
— Daremos um jeito até lá.
— O que não podemos deixar acontecer — digo, pensativo — é eles inventarem um casamento.
Tudo o que eu queria era que Naomi finalmente percebesse quem realmente a amava. Quem sempre esteve ali. Quem a conhecia de verdade.
— Isso não vai acontecer — ela diz, firme, embora eu perceba a insegurança em sua voz.
— Você sabe que eles são loucos… e que me amam — provoco.
— Convencido! — Ela me dá um murro no ombro.
Sorrio.
Passamos o resto da tarde assistindo filmes aleatórios, rindo de cenas idiotas e comendo mais do que devíamos. O tempo passou rápido demais, como sempre acontecia quando eu estava com ela. Logo chegou a hora de voltarmos para a faculdade.
Fomos juntos. Nos separamos apenas na hora do jogo: eu segui para o campo, ela para a arquibancada. Assim que o jogo começou, olhei para Naomi e vi tudo ali — família, cochichos, expectativas, pressão. Sangue do profeta. Um caos anunciado.
Balancei a cabeça e voltei minha atenção para o jogo.
Meu time ganhou, como sempre. Depois do apito final, fui direto para o vestiário. Tomei um banho rápido, vesti minha roupa e segui para a aula de química. Antes disso, procurei Naomi.
Ela estava nervosa. Muito nervosa. Seus dedos se mexiam sem parar, e seu olhar fugia das pessoas ao redor. Como bom amigo — e agora “namorado” — eu sabia que precisava tirá-la dali antes que surtasse.
A família inteira estava reunida no campo. E quando a família Marck se reunia… era um evento.
— Peter! — alguém gritou. — Sempre shipamos Peomi!
"Peomi", pior que eu gostei do shipper, achei original e a nossa cara.
— Sabia que vocês iam ficar juntos!
— Estamos tão empolgados!
Respirei fundo.
— Okay, pessoal — digo, em voz alta. — Daqui a três dias conversamos com calma. Agora eu e a Naomi temos aula.
Puxo Naomi pela mão e saímos dali.
— Ufa… — ela suspira, passando o braço pela minha cintura. Eu apoio o braço em seus ombros. — Obrigada. Eu te amo.
Ela fica na ponta dos pés e beija minha bochecha.
— QUE LINDO! — todos gritam em uníssono.
Olho para trás. Todos nos observavam com cara de bocós.
Jesus Cristo…
— Que tal fugirmos dessa família louca? — Naomi sussurra. — Posso dormir no seu apartamento até o dia do ritual?
— Claro que pode — respondo, beijando sua testa. — Assim evitamos eles.
— Por isso que eu te amo.
Engulo em seco.
— Eu te amo mais, ruiva.
Seguimos para a sala de aula. Ainda teríamos mais três aulas pela frente. E eu não tinha percebido a merda que fiz, ela ainda é minha amiga, mas é minha namorada de mentira, e eu sou completamente apaixonado por ela, e ela vai ficar três dias comigo, que merda que eu fui fazer?
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Aubrey Marck
Eu estava tendo uma conversa séria com Deivd. Há dias ele vinha agindo de forma estranha comigo. Distante. Irritado. Arrogante.
— Eu não sei, Deivd… — digo, finalmente. — Estou confusa. Você nunca me tratou daquele jeito. E agora faz isso.
Ele tenta falar, mas continuo.
— Na verdade, você tem agido estranho comigo desde a festa de dezoito anos da Naomi. Não sei mais o que quero. Não sei se deveríamos continuar com esse noivado.
As palavras saem de uma vez só. Era agora ou nunca.
— Amor, por favor… — ele diz, desesperado. — Me desculpa. Eu não sei o que deu em mim. Os problemas do trabalho estão me matando. Sei que fui um idiota, mas eu te amo. Não quero te perder. Não sei o que faria sem você.
Lágrimas escorrem pelo rosto dele.
Ele se aproxima, segura minha cintura e me puxa para perto. Beija meu pescoço, e meu corpo reage automaticamente. Arrepios percorrem minha pele.
Eu ainda o amo. Mas estou cansada. Confusa. Machucada.
— Vamos tentar mais uma vez — digo, após alguns segundos.
— Okay — ele responde, aliviado.
Concordei no impulso. Não tinha certeza de nada. Apenas sabia que ainda não estava pronta para desistir.
Mas algo dentro de mim dizia que eu não me sentia mais segura como antes. Mesmo eu o amando com todo o meu ser, eu estava sentindo que logo chegaria ao fim.
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Naomi Marck
Depois das aulas, passei rapidamente em casa. Peguei uma mochila com algumas roupas e tentei sair de fininho. Todos estavam na piscina, rindo alto.
— Para onde vai, mocinha? — Aubrey pergunta, me dando um susto.
— Para a casa do Peter — respondo. — Não quero ficar com esses loucos. Eles vão fazer a gente passar vergonha.
— Entendo — ela sorri, mas noto um brilho triste em seus olhos. — Vai logo. Eu despisto eles.
— Obrigada, maninha. Eu te amo.
Saio quase correndo. Entro no carro, e Peter canta pneu ao sair.
Ele dirige rápido demais, como se estivesse fugindo de algo — ou de alguém. Parecia cena de filme de ação. Meu coração dispara.
Um nó se forma na minha garganta.
Quando descobrirem que eu não estou em casa… vão surtar. E quando descobrirem que vou passar dias na casa do Peter… vão enlouquecer de vez.
Eles vão armar um pampeiro. Eu já consigo imaginar.
E, de repente, um pensamento me invade com força:
E se alguém descobrir que esse namoro é uma farsa?
E pior… e se descobrirem o verdadeiro motivo?
Minha cabeça vira um tsunami de “e se”.
E se não der certo?
E se machucar alguém?
E se tudo sair do controle?
Eu tento afastar esses pensamentos, mas eles insistem. Minha mente não para.
Sinto que, se continuar assim, vou acabar enlouquecendo.
{…}







