Mundo de ficçãoIniciar sessãoPietro
Não consigo entender por que a imagem da ruiva apressada — que vi apenas uma vez nos corredores da faculdade — invade meus pensamentos de tempos em tempos. Uma sensação estranha se apodera de mim sempre que penso nela.
— Pietro, andiamo.
Lorenzo, meu irmão mais velho e subchefe da famiglia, me chama de dentro do carro. Estou na rua, em frente à casa de um dos nossos homens, de onde acabo de sair após transmitir um aviso em nome do Don Giuseppe, nostro padre.
Afasto meus pensamentos da linda ruiva, caminho até o carro e entro. Preciso focar no trabalho — toda atenção é pouca. Temos muitos inimigos.
— Que cazzo você estava pensando? — Lorenzo me repreende com aspereza. Dou-lhe atenção, sabendo exatamente o que virá, e porque devo obediência ao meu Sub. — Parado na rua, sem segurança…
Antes que ele continue, me desculpo. Sei que estava errado. Um desafeto poderia facilmente me alcançar e acabar com minha vida.
Coloco o cinto de segurança e permaneço em silêncio.
Mas meus pensamentos voltam a ela… à ruiva.
Faz dois meses que me formei. Dois meses desde que a vi pela primeira vez — e, estranhamente, sinto saudade. Não sei onde mora, não sei seu nome, nem sua idade. Nunca toquei sua pele, muito menos beijei seus lábios delicados… e, ainda assim, a desejo como nunca desejei outra mulher.
É algo bruto e, ao mesmo tempo, profundo — algo que desperta em mim uma parte até então desconhecida. O mais estranho é que sou um homem prático, frio, racional. Nunca tive dificuldade em conquistar uma mulher; quando quero, sou direto.
Mas essa garota…
Essa garota me faz agir como um moleque inexperiente. Quase… apaixonado.
Chegamos ao nosso destino: a casa do governador Nicolo Fontana. Geralmente é nosso pai quem lida com homens como ele, mas, aos poucos, tem delegado essa função a Lorenzo, que será seu sucessor.
Desejo que isso demore — não porque não queira meu fratello como Don, mas porque quero nosso pai por muitos anos ao nosso lado. Ainda sofro com a perda da mia madre.
Aguardamos autorização para entrar na luxuosa e moderna residência. Quando liberados, avançamos alguns metros antes de estacionar. Dois seguranças se aproximam, prontos para nos revistar, mas, antes que Lorenzo diga qualquer coisa, o governador surge no saguão e nos convida a entrar.
Um dos homens comenta que estamos armados.
Fontana, com bom humor, responde:
— Ainda bem.
Minhas armas e eu somos um só. Minha companheira, a HK USP Elite .45, é como uma segunda pele.
Seguimos o governador até seu escritório. Servidos de uísque, Lorenzo inicia as negociações. Enquanto ele fala sobre a necessidade de maior colaboração nas fronteiras, caminho até a janela.
Por mais que a reunião pareça amistosa, não consigo relaxar. Estou sempre alerta.
Do lado de fora, vejo um jardim repleto de flores coloridas. Analiso o entorno e noto apenas dois homens. Para um governador, sua segurança é fraca — homens como eu entrariam facilmente naquela casa.
Afasto-me da janela, mas, antes de me juntar aos demais, lanço um último olhar.
E então a vejo.
A ruiva que, há dois meses, invade meus pensamentos.
Linda, em um vestido estampado de fundo branco, conversa com um senhor que aparenta ser o jardineiro. Vasculho rapidamente a memória: o governador tem dois filhos homens.
Ela consegue ser ainda mais bela do que eu lembrava. Sua presença se destaca entre as flores, como se fizesse parte daquele cenário. Mesmo à distância, consigo perceber seu sorriso — puro… quase inocente.
Dentro de mim, trava-se uma batalha: uma parte quer ir até ela, descobrir quem é, o que faz ali; a outra me lembra que não é o tipo de garota para um homem como eu.
Incerto, permaneço onde estou, observando.
A doce ruiva caminha entre as flores e, vez ou outra, se inclina para sentir o perfume delas. Seus cabelos brilham sob o sol, tão vermelhos… tão perfeitos.
O homem, até então ajoelhado na terra, se levanta e a chama. Ela sorri, pega uma pequena caixa de madeira e, juntos, entram na casa.







