Ela não conseguiu continuar. Embargou a voz, finalmente mostrando a rachadura de seu trauma a Nunes, uma dor crua e exposta.
— Eu fiquei desesperada porque o celular tava descarregado — ela continuou, a voz quase um sussurro, misturado a um soluço: — Botei pra carregar em uma caixinha que carrega celular portátil e esperei os segundos pra ligar ele com 1%. Parecia uma eternidade.
Quando ele viu uma lágrima escorrendo pelo rosto de Ketlen, ele sorriu com os lábios, desfazendo sua postura de "ouvinte sério" — Não poderia ser diferente. Ele queria e devia ser o mais humano possível com ela naquele momento.
— Ei... — ele enxugou a lágrima dela com o polegar, num toque quase angelical, delicado e inesperado.
Ela arregalou os olhos de leve, tirando sua mão do rosto como um gato assustado, um movimento brusco.
— P-para! — o silêncio entre os dois foi mortal. Pesado. Ketlen fungou o nariz, puxando a água que escorria de volta, limpando-o com a gola da camisa com o braço, em um gesto de disfarc