Ela se levantou da cadeira da cozinha, um cômodo aberto atrás do sofá, decidida a acordá-lo. Eles precisavam sair daquela lua e voltar para o espaço.
— Ei... acorda... — ela cutucou o ombro dele, a voz inesperadamente doce, quase um sussurro.
Ele continuava dormindo, a exaustão o mantinha preso.
— Acorda, cara — ela empurrou o ombro dele com mais força, a voz mais grossa agora, sem nenhum carinho.
O sofá parecia tê-lo engolido — o felpudo denso, geladinho, colava na pele dele como se suplicasse para que ele ficasse mais cinco minutos. O cheiro suave de linho e couro fresco criava uma paz difícil de largar. Pelas janelas superiores da nave, os reflexos líquidos da luz azul da lua aquática dançavam no teto e nas paredes.
Então ele abriu os olhos cerrados de sono, olhando para ela, a mente ainda nebulosa:
— Hmmm, que foi, Ketlen?
— Bora... já passou cinco horas. Já deu pra descansar o suficiente — ela franziu o cenho, a impaciência voltando: — Sai lá fora e vê o que tá de errado pra você