— Então você não é tão útil assim, né? — forçava uma voz sensual, irônica, tentando intimidá-lo.
Nunes riu amargamente.
— Queria que não fosse. Mas você sabe pilotar uma nave? — ele cruzou os braços, sério, a voz desafiadora: — tirar ela daqui, arrumar o que quebrou na queda? Operar essa nave?
— Ou seja... você vai usar isso pra sair vivo? — ela virou o rosto, fazendo biquinho, um resquício de irritação infantil.
— Não só isso... vou dormir.
— Que? — ela voltou ao normal, confusa, a voz um pouco mais alta.
Ele se levantou, ignorando a arma apontada para ele, um ato de suprema audácia.
— Tá achando que tá em colônia de férias? — ela o encarava se levantar, a raiva crescendo em seu peito.
— Olha, você precisa de mim mais do que eu de você — ele bocejou, um gesto de desrespeito calculado: — Quero dormir. Aí quando eu acordar, eu saio lá fora e dou uma olhada como a nave tá...
Ele se virou e foi até o sofá. Com raiva, ela o empurrou com força, fazendo-o cair no chão igual bosta, um som se