Ketlen olhou para o irmão, imóvel. A inocência dele era um golpe.
— E... eu também vi que você tomou melatonina! — ele estendeu as cartelas vazias de tarja preta.
Os olhos dela se arregalaram. Num reflexo, ela arrancou o plástico da mão dele.
— Onde... onde pegou isso?! — a respiração se tornou sufocada.
— No chão... desculpa... é que a mamãe disse que a gente não pode usar fitoterápicos todo dia... e... eu... eu também vi que seus braços... estão todos suados! — ele apontou para as manchas úmidas na coberta: — E esse aqui tá dodói...
No instante em que o dedo pequeno de Davi roçou o pulso cortado, Ketlen se afastou como se tivesse levado um choque. Ela tampou a lesão na mesma hora, esmagando o ferimento com o aperto da própria mão.
— O que você quer? — sua voz ficou dura, despojada de paciência.
— Eu tive um pesadelo, mana, queria dormir com você... desculpa... — ele virou o rosto, envergonhado.
Ketlen respirou fundo. O coração estava disparado, as mãos ainda trêmulas.
— Tá, Davi. Dei