Mas ela estava gélida.
— Por que você tá tão fria?
— É o ar-condicionado, maninho — ela se esforçou para rir, mas o som saiu quebrado, como vidro.
Ele se virou de volta para encará-la, sentindo algo estranho no ar. Instintivamente, na mesma hora, Ketlen escondeu o pulso cortado sob o peso do travesseiro.
— Tá tudo bem...? — Davi encostou a mão na testa gelada dela, passando de leve.
— Tá tudo bem, Davi — ela piscou várias vezes, rápido demais, segurando o ar nos pulmões para se manter alerta.
— Amanhã você brinca comigo?
Ketlen engoliu em seco, apenas acenando com a cabeça. Os efeitos sedativos a puxavam para baixo, ameaçando desligá-la a qualquer instante, mas o coração batia rápido, em pânico. Ela precisava falar.
— Davi... — ela apertou os olhos, mas uma única lágrima pesada escorreu: — Se um dia eu sumir, lembra que eu te amo, tá?
Davi limpou a lágrima dela com o polegar, sorrindo com os lábios.
— Você prometeu que nunca ia me deixar sozinho... Eu sei que nenhum pesadelo vai te imp