— Ah não... na moral, não fica ignorando de novo não, tá chato já!
...
— Você só tá se jogando no buraco comigo, cabeçuda — ele revirou os olhos, com raiva, mas a voz carregava um estranho tom de preocupação.
O tempo passava de forma distorcida naquela lua distante, próxima do buraco negro. Para Nunes, as horas se arrastavam, cada minuto mais sufocante do que o anterior. O silêncio, intercalado apenas pelo som suave da menina batendo os dedos no teclado e o balançar da nave sobre as ondas da lua, era torturante. Ele estava preso, ferido, impotente. Sem direito. Sem sua avó.
A insurgente continuava trabalhando em algo que ele não fazia ideia do que era. De onde estava, era impossível ver qualquer coisa no visor do monitor.
Um bom tempo se passou, um tempo vasto e vazio — ele passou aquela noite inteira tentando falar com ela, mas ela o ignorava por completo, uma parede de indiferença mais sólida que qualquer concreto.
Durante a madrugada, ela desligou as luzes e foi dormir no sofá da s