O bipe rítmico do monitor clínico foi o primeiro som que Audrey ouviu, confirmando que seu segredo não pertencia mais apenas a ela. Ao abrir os olhos, o teto branco da clínica tornou-se nítido, mas foi a expressão de seus pais que a fez estremecer. Não havia rastros da repreensão que esperava, nem a fúria por ter manchado a honra familiar; pelo contrário, seus rostos irradiavam uma satisfação quase obscena.
Audrey sentiu-se esmorecer novamente diante de uma dúvida pungente: será que Alessandro já lhes havia revelado o que aconteceu no hotel? Sabiam eles que a prova de sua santidade já havia sido descoberta e que sua gravidez era a prova irrefutável de sua desonra?
— O que aconteceu? — articulou com a garganta seca, buscando um sinal de reproche em seus olhos.
— Você desmaiou, mas seu marido a trouxe pessoalmente — respondeu Eliot, com um sorriso que transbordava uma ambição renovada. — E o melhor de tudo, filha... é que o médico nos deu a notícia que nos salvará da miséria. Por que você não nos disse que esteve com Alessandro?
A compreensão a atingiu com a força de um impacto físico. O desmaio forçara os médicos a realizar exames imediatos, e a verdade sobre seu estado ficara exposta diante das pessoas menos indicadas.
— Ele sabe? — perguntou com um fio de voz.
— Ele sabe. E isso muda as regras do jogo — afirmou seu pai, esfregando as mãos. — Esse bebê é um seguro de vida. Agora que você espera um filho do homem mais poderoso do país, ele não poderá nos dar as costas.
Audrey sentiu náuseas diante da frieza mercantil de seu próprio pai. Mas antes que pudesse retrucar, a porta abriu-se de par em par. Alessandro Di’ Giovanni entrou no quarto irradiando uma fúria gélida. Seus olhos, injetados em uma raiva contida, ignoraram os Sullivan e cravaram-se nela.
— Deixem-nos — ordenou ele com uma voz que não admitia réplica.
Seus pais saíram com um olhar de cumplicidade, convencidos de que sua fortuna estava a salvo. Alessandro permaneceu de pé, observando Audrey como se ela fosse uma peça de evidência em um julgamento por traição.
— Se você vai me reprovar por isso, faça de uma vez — soltou ela, tentando manter a voz firme.
— Vim evitar que você tente se aproveitar de mim — cuspiu ele, jogando um envelope com desprezo sobre o colo dela. — Sei que você era virgem quando estivemos juntos. Você planejou esta gravidez para me chantagear, para me obrigar a devolver as ações de seu pai em troca de seu silêncio.
— Isso não é verdade! — gritou ela, sentindo como a raiva queimava acima do medo. — Eu nem sabia quem você era!
Alessandro inclinou-se sobre ela, invadindo seu espaço pessoal. O aroma de seu perfume despertou uma memória sensorial daquela noite, mas suas palavras a devolveram à realidade de forma brutal.
— Não vou ser o fantoche de uma Sullivan. Esse filho é um Di’ Giovanni, e eu cuidarei dele porque é meu primogênito. Mas você não faz parte da equação.
Tirou um documento do envelope cujo título gritou do papel: Acordo de Renúncia e Pensão.
— Assine isto — ordenou. — Você renunciará a todos os seus direitos como mãe no momento em que o bebê nascer. Em troca, lhe darei o divórcio e você desaparecerá de nossas vidas para sempre. Se você se negar, seu pai dormirá na prisão amanhã mesmo por fraude.
Alessandro deu meia-volta e saiu sem olhar para trás. Audrey ficou sozinha, apertando o papel contra o peito enquanto as lágrimas caíam. No entanto, justo quando achava que havia perdido tudo, uma enfermeira entrou apressadamente e trancou a porta.
— Senhora Di' Giovanni, perdoe a interrupção — sussurrou a mulher, entregando-lhe um segundo relatório médico que Alessandro não vira. — Há algo nos níveis de seu exame de sangue que o doutor não mencionou diante de seu marido... algo que explica por que seu corpo reagiu assim ao desmaio.
Audrey abriu o envelope com mãos trêmulas. Ao ler a primeira linha dos resultados adicionais, sua respiração parou de golpe. O jogo de Alessandro estava prestes a se tornar muito mais perigoso.