Milionário e Vingativo: O Segredo dos Meus Gêmeos
Milionário e Vingativo: O Segredo dos Meus Gêmeos
Por: AriaEscritora
01

Audrey Sullivan acordou em uma cama estranha, presa entre lençóis de seda e o pecado de uma noite que jurou que seria sua liberdade, mas que acabou sendo sua condenação. O silêncio no quarto era tão pesado que a jovem podia ouvir o batimento errático de seu próprio coração ecoando contra suas costelas. O som suave e rítmico de uma respiração alheia a recebeu ao abrir os olhos. Sentia suas pálpebras tão pesadas como se tivessem sido seladas com chumbo. A luz que filtrava pelas cortinas daquela suíte de hotel a cegou por um instante, obrigando-a a piscar com torpeza até que o luxo que a rodeava ganhasse nitidez.

O primeiro que Audrey experimentou foi o toque frio dos lençóis sobre sua pele nua. Um calafrio percorreu sua coluna quando, ao virar a cabeça, deparou-se com uma imagem que lhe roubou o fôlego: um homem jazia ao seu lado. O desconhecido dormia profundamente, com o torso descoberto, revelando costas largas e uma pele bronzeada que denunciava uma masculinidade imponente.

O que eu fiz?, perguntou-se ela em um grito silencioso, enquanto o pânico começava a subir por sua garganta como uma hera venenosa.

Sua mente, ainda nublada, começou a evocar memórias fragmentadas. O bar, o brilho das taças de cristal e as risadas de Hanna e Gael. Lembrou-se de como seus amigos a instigaram a beber, celebrando que finalmente Audrey Sullivan quebrava as correntes invisíveis de seu sobrenome. Aquela noite, o álcool não foi apenas uma bebida; foi o combustível de uma rebelião desesperada para sentir, nem que fosse por algumas horas, que era dona de seu próprio destino.

Mas agora, ao observar o homem ao seu lado, a liberdade tinha gosto de cinzas. Ela tentou se levantar com cuidado, evitando que o colchão rangeu. Ao observar melhor o homem, uma pontada de reconhecimento a atingiu com a força de um raio. Os traços afiados, a mandíbula firme... era ele. O mesmo moreno que ela havia beijado no bar por impulsividade. A julgar por suas roupas de marca, tratava-se de alguém de uma posição social imponente.

Saiu do quarto quase sem tocar o chão, com o coração martelando contra seus ouvidos e a amarga certeza de que aquela noite se tornaria a corrente mais pesada que jamais teria de carregar.

Audrey cruzou o umbral de sua mansão tentando ocultar a desordem de seu espírito, mas o silêncio habitual havia sido substituído pelo estrondo de uma discussão violenta. Ao se aproximar do escritório, as vozes de seus pais filtravam através da madeira, carregadas de uma desesperação que ela jamais ouvira.

— Perdemos tudo, Olivia! — berrou Eliot, seu pai, cuja voz soava quebrada. — Aquele maldito negócio foi uma armadilha. Fui enganado diante dos meus próprios olhos.

— Mas alguém comprou as ações, Eliot... — soluçou sua mãe. — Você disse que um investidor nos salvaria. Nem tudo está perdido...

A jovem gelou atrás da porta. Ao entrar, encontrou seu pai afundado em sua poltrona, com o rosto oculto entre as mãos. A empresa, o orgulho da dinastia Sullivan, estava em falência técnica.

— Não é um salvador, Olivia, é um carrasco — replicou Eliot, levantando o olhar para encontrar sua filha. — Alessandro Di' Giovanni comprou cada uma de nossas dívidas. Mas não o fez por caridade.

Aquele nome representava o rival mais implacável do setor. Um homem cuja crueldade nos negócios já era uma lenda.

— O que ele quer em troca? — perguntou Audrey, com um pressentimento amargo.

Eliot guardou silêncio, incapaz de sustentar o olhar de sua única filha, e deslizou um documento sobre a mesa.

— Ele quer você, Audrey — soltou Eliot com um fio de voz. — Alessandro Di' Giovanni comprou nossas dívidas. O contrato exige que você seja a esposa dele ou terminaremos na rua.

Audrey sentiu um vazio no estômago. O nome de Di' Giovanni era sinônimo de poder e crueldade, mas não tinha rosto. Enquanto subia para seu quarto, uma pergunta a queimava por dentro. Quem era esse carrasco? E quais eram as chances de o destino ser tão retorcido a ponto de cruzá-la novamente com o estranho da suíte do hotel? O medo era real, mas a dúvida era uma tortura ainda pior.

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