Allegra estava deitada no tapete do ateliê, cercada por papéis, lápis, chá morno e o som suave do violino que vinha do quarto ao lado.
Era final de tarde e o céu de Paris estava cor-de-rosa.
O tipo de céu que parece querer dizer alguma coisa.
Na folha à sua frente, a primeira linha escrita com sua caligrafia firme:
“Carta para quem nunca se escolheu.”
Ela mordeu a parte de dentro do lábio, como fazia sempre que precisava mergulhar fundo em alguma lembrança que ainda doía.
“Eu sei que você tem m