Era sábado de manhã e Paris estava úmida.
Aquelas garoas finas que pareciam mais poesia do que chuva.
Dentro do apartamento, Allegra aquecia as mãos com uma caneca de chá e encarava a nova tela em branco no ateliê.
— “Depois do Silêncio” foi como uma despedida — ela murmurou para si mesma. — Agora é hora de um recomeço inteiro.
Pegou o carvão e desenhou o contorno de um espelho.
Mas o reflexo dentro dele estava vazio.
Era isso que queria explorar agora: o que a gente enxerga quando ousa se olha