O trem para Veneza partiu ao amanhecer.
Allegra segurava o caderno contra o peito, como se fosse um escudo ou um bilhete de entrada para um mundo onde sua alma poderia ser lida em voz alta.
Lucca estava ao lado, com o estojo do violino e um olhar tranquilo — como se já soubesse que algo mágico estava prestes a acontecer.
Nenhum dos dois falava muito.
A viagem inteira parecia embalada em silêncio respeitoso.
Não era nervosismo.
Era reverência.
A cidade da água surgia diante deles como um sonho a