Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla jurou que nunca deixaria ninguém controlar seu futuro outra vez. Ele passou anos construindo uma carreira impecável, sem espaço para erros. Mas tudo muda quando olhares demorados em uma sala de aula se transformam em encontros secretos entre corredores silenciosos, livros esquecidos e noites cheias de tensão proibida. Ela é a aluna brilhante que precisa desesperadamente se formar. Ele é o professor admirado que sabe exatamente o quanto esse romance pode destruí-lo. Na faculdade, existem regras claras. E eles estão quebrando todas elas. Entre mensagens apagadas, rumores perigosos e uma atração impossível de ignorar, os dois precisarão decidir até onde vale a pena lutar por um amor que pode custar tudo: o diploma dela, a carreira dele… e talvez seus próprios corações. Porque algumas pessoas entram na nossa vida da forma errada… e se tornam impossíveis de esquecer.
Ler maisPasso a mão pelos cabelos e tiro os óculos por um instante, esfregando os olhos cansados. O silêncio quase absoluto da biblioteca da faculdade é interrompido apenas pelo som baixo de páginas sendo viradas, teclados digitando e sussurros discretos espalhados entre as mesas.
Ergo o olhar ao redor. Alguns alunos estão concentrados nos estudos, cercados por pilhas de livros e copos de café caros. Outros caminham lentamente pelos corredores enormes, deslizando os dedos pelas lombadas dos livros como se tivessem todo o tempo do mundo. Há também aqueles que parecem estar ali apenas para serem vistos, exibindo roupas de marca, relógios caros e sorrisos arrogantes. A grande maioria deles nasceu cercada de privilégios. Pessoas que nunca precisaram lutar por uma bolsa de estudos como eu precisei. Nunca precisaram passar noites acordadas estudando até os olhos queimarem, nem ouvir que seus sonhos eram altos demais para alguém sem dinheiro. Ainda assim… eu consegui. A faculdade no Canadá sempre foi o meu maior sonho. Mesmo tendo crescido na França, nunca tive medo da ideia de deixar tudo para trás e começar de novo em outro país. Na verdade, aquilo sempre pareceu liberdade para mim. E no momento em que fui aprovada nas provas e recebi a confirmação da bolsa, minha vida mudou completamente. Um mês depois, eu já estava no Canadá, sozinha, assustada e absurdamente determinada, pronta para finalmente estudar aquilo que sempre fez meu coração bater mais forte: artes. Olho rapidamente para o celular e, ao ver o horário, me levanto da cadeira. Guardo minhas coisas com pressa, colocando os óculos de volta no rosto antes de seguir pelos corredores da faculdade em direção à minha próxima aula: História da Arte. Uma matéria nova. E, estranhamente, estou ansiosa por ela. Talvez porque arte nunca tenha sido apenas uma matéria para mim. Sempre foi refúgio, expressão… sobrevivência. Entro na sala e encontro o auditório parcialmente ocupado. Alguns alunos já estão sentados em seus lugares, organizando notebooks e materiais. Outros conversam alto, como se estivessem em um café e não dentro de uma universidade. O cheiro de perfume caro e café fresco paira no ar. — Luana! — ouço alguém me chamar. Viro o rosto e encontro Sara sentada algumas fileiras mais à frente, perto do auditório. Caminho até ela e me sento ao seu lado. — Como você está? — pergunto enquanto tiro meu caderno de anotações de dentro da bolsa já gasta pelo uso. — Bem! — ela responde, mas logo seus olhos deslizam para um grupo de alunos perto da porta. — Ricos conseguem ser tão mesquinhos, não é? — comenta, fazendo uma careta de desaprovação. Solto uma risada baixa. — Você é rica, Sara. Ela coloca a mão no peito dramaticamente. — Mas eu não sou mesquinha! Acabamos rindo juntas. Apesar de vir de um mundo completamente diferente do meu, Sara era uma das poucas pessoas naquela faculdade que não me fazia sentir deslocada. Ela nunca me olhou com superioridade. Nunca me tratou como “a bolsista”. As conversas na sala diminuem aos poucos quando os alunos começam a ocupar seus lugares. O barulho das cadeiras arrastando ecoa pelo auditório até que a porta nos fundos se abre. E então ele entra. Por um segundo, a sala inteira parece perder o som. Alto, postura impecável e passos calmos, o homem atravessa o auditório com uma presença quase intimidante. O terno escuro perfeitamente ajustado destacava os ombros largos e o corpo firme, enquanto as mangas dobradas até os antebraços deixavam à mostra veias discretas e um relógio sofisticado preso ao pulso. Os cabelos escuros estavam levemente bagunçados, como se ele tivesse passado os dedos por eles algumas vezes antes de entrar ali. A barba curta e alinhada tornava seus traços ainda mais marcantes. Mas eram os olhos que realmente prendiam atenção — intensos, profundos, de um tom escuro quase impossível de decifrar. O tipo de homem que fazia qualquer ambiente parecer menor quando entrava. Jovem demais para ser professor. Bonito demais para passar despercebido. — Nossa… — Sara sussurra ao meu lado, completamente hipnotizada. E, honestamente, eu a entendia. O homem para diante da turma e apoia alguns papéis sobre a mesa. — Boa tarde. — A voz dele é firme, grave e absurdamente calma. — Eu sou Sebastian Blackwood. Serei o professor de História da Arte de vocês neste semestre. Meu cérebro demora alguns segundos para processar a informação. Professor? Caramba… Ele aparenta ter pouco mais de trinta anos, mas existe algo nele que mistura juventude e maturidade de uma forma perigosa. Confiante demais. Elegante demais. Bonito demais. E isso definitivamente não deveria me deixar nervosa. Ele é extremamente inteligente. Conforme a aula avança, fica impossível não perceber isso. Sebastian não apenas domina o assunto de História da Arte de trás para frente, como também fala sobre cada detalhe com uma paixão quase hipnotizante. Não é aquele tipo de professor que apenas repete conteúdo decorado em slides. Ele explica como se realmente enxergasse vida em cada obra, em cada pincelada, em cada movimento artístico que cita. E, honestamente, aquilo prende minha atenção mais do que deveria. Ele anda pelo auditório enquanto fala, gesticulando ocasionalmente, completamente seguro de si. A voz grave ecoa pela sala de maneira calma e envolvente. — A arte renascentista não foi apenas sobre estética — ele diz, apoiando uma das mãos na mesa. — Foi sobre humanidade. Sobre emoções reais. Sobre o homem deixar de olhar apenas para o divino e começar a enxergar a si mesmo. Alguns alunos fingem prestar atenção. Outros parecem ocupados demais mexendo no celular escondido sobre as mesas. Sebastian suspira discretamente antes de continuar. — Já que estamos falando do Renascimento… alguém pode me dizer qual artista foi responsável pela técnica do sfumato e por que ela foi tão importante para a pintura? O silêncio domina o auditório. Olho rapidamente ao redor. Ninguém responde. Alguns evitam contato visual propositalmente. Outros apenas parecem não saber. Sebastian espera alguns segundos, paciente, mas claramente decepcionado. Meu coração acelera. Eu sei essa resposta. Mordo a parte interna da bochecha, hesitante, antes de erguer a mão devagar. Os olhos dele encontram os meus imediatamente. — Leonardo da Vinci — respondo, tentando manter a voz firme. — O sfumato criava transições suaves entre luz e sombra, sem linhas marcadas. Isso dava mais profundidade, realismo e emoção às pinturas. O silêncio continua por um segundo. Então Sebastian sorri. E meu Deus… Aquele sorriso deveria ser ilegal. Discreto. Elegante. Quase raro. — Isso mesmo. Como se chama? — ele pergunta, mantendo os olhos fixos nos meus. Sinto meu estômago revirar de nervosismo. — É… Luana Simons — respondo, odiando o quanto minha voz soa tímida. Ele me observa por alguns segundos. Tempo demais. Os olhos escuros parecem tentar me decifrar, como se estivessem procurando algo além da resposta certa. E, por algum motivo inexplicável, isso faz meu coração bater ainda mais rápido. — Sua afirmação está correta, Luana Simons. — Ele pronuncia meu nome devagar, quase saboreando cada sílaba. E por que, exatamente, meu nome soa muito mais bonito quando ele fala? ... A aula termina rápido demais. Ou talvez eu só tenha estado distraída demais para perceber o tempo passar. Enquanto os alunos começam a guardar os materiais e deixam o auditório aos poucos, Sara espera pacientemente enquanto organizo minhas coisas dentro da bolsa. Tento focar no caderno, nas canetas espalhadas sobre a mesa, em literalmente qualquer outra coisa… Mas meus olhos acabam voltando para ele. Sebastian está próximo da mesa, organizando alguns papéis com tranquilidade. A postura continua impecável, e até o jeito distraído com que afrouxa levemente as mangas da camisa parece elegante demais para ser real. Como se sentisse meu olhar, ele ergue os olhos na minha direção. E então nossos olhares se encontram. Meu coração falha uma batida. Por um instante, o resto da sala desaparece. Ele abre um pequeno sorriso — discreto, quase contido — e faz um leve aceno com a cabeça. Sinto minhas bochechas aquecerem imediatamente. Retribuo o gesto de maneira tímida antes de praticamente fugir dali junto com Sara. Assim que saímos da sala, ela segura meu braço dramaticamente. — Caramba… nosso professor é um gostoso! — ela dispara sem qualquer vergonha. Solto uma risada abafada. — Você estava prestando atenção na aula ou nele? — pergunto, tentando soar casual enquanto caminhamos pelo corredor. Sara coloca a mão no peito, indignada. — Qual é! Não fui só eu que fiquei olhando pra ele. A sala inteira estava! Rio novamente, mas minha mente traiçoeiramente relembra os olhos intensos de Sebastian presos nos meus. A forma como ele falou meu nome. Droga. — Ele parece ser novo demais pra ser professor — comento. — Isso é verdade. Todos os professores aqui são, no mínimo, aceitáveis em beleza. Isso é praticamente requisito da faculdade. — Ela faz uma pausa dramática. — Mas aquele homem? Superou tudo. Dou risada da sinceridade absurda dela. O caminho até os dormitórios é tranquilo. O campus está movimentado, estudantes atravessam os jardins carregando livros, conversando alto ou andando de bicicleta enquanto o vento frio do Canadá bagunça meus cabelos. Quando chegamos ao quarto que dividimos, Sara entra primeiro e se j**a na cama sem qualquer delicadeza. — Hoje tem uma festa e você vai — ela anuncia, apontando para mim como se estivesse decretando uma lei. Faço uma careta enquanto deixo minha bolsa sobre a escrivaninha. — Não vou, não. Quero visitar o museu de artes da faculdade hoje à noite. Vai ter uma exposição nova. Ela me encara em silêncio por alguns segundos, completamente séria. — Juro que essa é a última vez que permito que você fuja de uma festa universitária. Acabo rindo da indignação dela. — Você fala como se fosse minha mãe. — Porque claramente alguém precisa agir como adulta nessa amizade. Balanço a cabeça ainda rindo antes de pegar uma troca de roupa e seguir para o banheiro. Mas, no fundo, enquanto fecho a porta atrás de mim, a única coisa que consigo pensar não é na exposição. E sim nos olhos escuros de Sebastian Blackwood.Antes que eu consiga escapar, Sebastian me pega no colo com facilidade e me coloca sentada em cima de uma mesa que tinha na sala. — Eu devo puni-la por pensar tal coisa! — Ele diz. Sebastian deposita um beijo na minha bochecha, sinto sua barba fazer cócegas na mesma. Ele abre um sorriso quando me vê arrepiando, então passa sua barba pelo meu pescoço e deixo um gemido sair dos meus lábios. — Gosta disso? — Ele pergunta. — Sim! — Murmuro. Mesmo que meu pescoço fique vermelho depois, não me importo. Amo a sensação da sua barba na minha pele. Ele continua passando enquanto distribuí beijos por todo meu pescoço. Ergo as mãos e passo a mão nos seus cabelos, puxando ele para me beijar. Sebastian toma meus lábios com desejo, intensidade. Sua respiração está ofegante e ele parece querer pegar cada centímetro do meu corpo para ele. — Você é deliciosa, francesa! — Ele diz. Rio por ele usar minha nacionalidade como forma de me chamar. Sebastian puxa minha blusa para baixo, afa
Acordo no meio da madrugada com um suspiro cansado escapando dos meus lábios. Ainda estou sonolenta, perdida naquele estado entre sonho e realidade, até perceber o calor do corpo de Sebastian grudado ao meu. Abro um sorriso automaticamente. O braço dele está envolvido na minha cintura, me mantendo presa contra seu peito enquanto a luz alaranjada da lareira dança suavemente pelas paredes do quarto. O ambiente inteiro parece aconchegante demais. Seguro demais. E eu estou aquecida não apenas pelo fogo. Mas por ele. Pela pele quente encostada na minha. Pela respiração calma batendo contra meus cabelos. Pela sensação absurda de pertencimento que sinto sempre que estou nos braços dele. Com cuidado para não acordá-lo, me solto devagar do abraço e caminho até o banheiro. Quando volto para o quarto, Sebastian continua dormindo profundamente. E meu coração aperta diante da cena. Os lençóis estão bagunçados ao redor do corpo dele, os cabelos escuros caídos sobre a testa, a
Já está escuro quando começo a voltar para o dormitório. O campus está muito mais silencioso agora, iluminado apenas pelos postes espalhados pelos caminhos de pedra e pelas luzes acesas dos prédios da faculdade. O vento frio da noite bagunça alguns fios soltos do meu cabelo enquanto aperto o casaco contra o corpo. Meu celular vibra dentro do bolso. Paro de andar e o pego imediatamente, curiosa. Uma mensagem de um número desconhecido aparece na tela. “Quero te ver hoje. Estou com saudade. S.” Meu coração dispara no mesmo instante. S de Sebastian. Um sorriso involuntário surge nos meus lábios, daqueles impossíveis de controlar. Ridiculamente apaixonados. Mordo o lábio inferior antes de responder. “Então é só vir me encontrar. L.” Envio a mensagem com um pequeno sorriso divertido no rosto, imaginando a reação dele. Desligo a tela do celular e volto a andar, mas ele vibra outra vez quase imediatamente. “Estou atrás da faculdade te esperando. Não demore, amour.”
Entro no meu quarto distraída, ainda sentindo o calor do beijo de Sebastian preso nos meus lábios. Meu coração continua leve, quase flutuando, como se eu ainda estivesse dentro do carro dele. Olho automaticamente para o lado da cama de Sara e não a encontro ali. Estranho. Viro-me para ir até minha cama, mas tomo um susto tão grande que quase grito. Sara está sentada bem no meio da minha cama, de braços cruzados, me encarando como uma mãe decepcionada esperando explicações. Levo a mão ao peito, tentando recuperar o fôlego. — Meu Deus, Sara! — resmungo. — Você quase me matou do coração. Ela nem se mexe. — Aonde você estava? — questiona, estreitando os olhos. Preciso segurar a risada diante da expressão séria dela. — Eu só dormi fora. — respondo, tentando soar casual enquanto caminho até o guarda-roupa. — Só? — Ela arqueia uma sobrancelha. — Aonde você dormiu? E por que não me avisou? Eu fiquei preocupada! Mordo o lábio inferior enquanto finjo procurar alguma roupa. — Na cas





Último capítulo