Meu irresistível professor
Meu irresistível professor
Por: Lisa
Capítulo 1

Passo a mão pelos cabelos e tiro os óculos por um instante, esfregando os olhos cansados. O silêncio quase absoluto da biblioteca da faculdade é interrompido apenas pelo som baixo de páginas sendo viradas, teclados digitando e sussurros discretos espalhados entre as mesas.

Ergo o olhar ao redor. Alguns alunos estão concentrados nos estudos, cercados por pilhas de livros e copos de café caros. Outros caminham lentamente pelos corredores enormes, deslizando os dedos pelas lombadas dos livros como se tivessem todo o tempo do mundo. Há também aqueles que parecem estar ali apenas para serem vistos, exibindo roupas de marca, relógios caros e sorrisos arrogantes.

A grande maioria deles nasceu cercada de privilégios. Pessoas que nunca precisaram lutar por uma bolsa de estudos como eu precisei. Nunca precisaram passar noites acordadas estudando até os olhos queimarem, nem ouvir que seus sonhos eram altos demais para alguém sem dinheiro.

Ainda assim… eu consegui.

A faculdade no Canadá sempre foi o meu maior sonho. Mesmo tendo crescido na França, nunca tive medo da ideia de deixar tudo para trás e começar de novo em outro país. Na verdade, aquilo sempre pareceu liberdade para mim.

E no momento em que fui aprovada nas provas e recebi a confirmação da bolsa, minha vida mudou completamente.

Um mês depois, eu já estava no Canadá, sozinha, assustada e absurdamente determinada, pronta para finalmente estudar aquilo que sempre fez meu coração bater mais forte: artes.

Olho rapidamente para o celular e, ao ver o horário, me levanto da cadeira. Guardo minhas coisas com pressa, colocando os óculos de volta no rosto antes de seguir pelos corredores da faculdade em direção à minha próxima aula: História da Arte.

Uma matéria nova.

E, estranhamente, estou ansiosa por ela.

Talvez porque arte nunca tenha sido apenas uma matéria para mim. Sempre foi refúgio, expressão… sobrevivência.

Entro na sala e encontro o auditório parcialmente ocupado. Alguns alunos já estão sentados em seus lugares, organizando notebooks e materiais. Outros conversam alto, como se estivessem em um café e não dentro de uma universidade. O cheiro de perfume caro e café fresco paira no ar.

— Luana! — ouço alguém me chamar.

Viro o rosto e encontro Sara sentada algumas fileiras mais à frente, perto do auditório. Caminho até ela e me sento ao seu lado.

— Como você está? — pergunto enquanto tiro meu caderno de anotações de dentro da bolsa já gasta pelo uso.

— Bem! — ela responde, mas logo seus olhos deslizam para um grupo de alunos perto da porta. — Ricos conseguem ser tão mesquinhos, não é? — comenta, fazendo uma careta de desaprovação.

Solto uma risada baixa.

— Você é rica, Sara.

Ela coloca a mão no peito dramaticamente.

— Mas eu não sou mesquinha!

Acabamos rindo juntas.

Apesar de vir de um mundo completamente diferente do meu, Sara era uma das poucas pessoas naquela faculdade que não me fazia sentir deslocada. Ela nunca me olhou com superioridade. Nunca me tratou como “a bolsista”.

As conversas na sala diminuem aos poucos quando os alunos começam a ocupar seus lugares. O barulho das cadeiras arrastando ecoa pelo auditório até que a porta nos fundos se abre.

E então ele entra.

Por um segundo, a sala inteira parece perder o som.

Alto, postura impecável e passos calmos, o homem atravessa o auditório com uma presença quase intimidante. O terno escuro perfeitamente ajustado destacava os ombros largos e o corpo firme, enquanto as mangas dobradas até os antebraços deixavam à mostra veias discretas e um relógio sofisticado preso ao pulso.

Os cabelos escuros estavam levemente bagunçados, como se ele tivesse passado os dedos por eles algumas vezes antes de entrar ali. A barba curta e alinhada tornava seus traços ainda mais marcantes. Mas eram os olhos que realmente prendiam atenção — intensos, profundos, de um tom escuro quase impossível de decifrar.

O tipo de homem que fazia qualquer ambiente parecer menor quando entrava.

Jovem demais para ser professor.

Bonito demais para passar despercebido.

— Nossa… — Sara sussurra ao meu lado, completamente hipnotizada.

E, honestamente, eu a entendia.

O homem para diante da turma e apoia alguns papéis sobre a mesa.

— Boa tarde. — A voz dele é firme, grave e absurdamente calma. — Eu sou Sebastian Blackwood. Serei o professor de História da Arte de vocês neste semestre.

Meu cérebro demora alguns segundos para processar a informação.

Professor?

Caramba…

Ele aparenta ter pouco mais de trinta anos, mas existe algo nele que mistura juventude e maturidade de uma forma perigosa. Confiante demais. Elegante demais. Bonito demais.

E isso definitivamente não deveria me deixar nervosa.

Ele é extremamente inteligente.

Conforme a aula avança, fica impossível não perceber isso.

Sebastian não apenas domina o assunto de História da Arte de trás para frente, como também fala sobre cada detalhe com uma paixão quase hipnotizante. Não é aquele tipo de professor que apenas repete conteúdo decorado em slides. Ele explica como se realmente enxergasse vida em cada obra, em cada pincelada, em cada movimento artístico que cita.

E, honestamente, aquilo prende minha atenção mais do que deveria.

Ele anda pelo auditório enquanto fala, gesticulando ocasionalmente, completamente seguro de si. A voz grave ecoa pela sala de maneira calma e envolvente.

— A arte renascentista não foi apenas sobre estética — ele diz, apoiando uma das mãos na mesa. — Foi sobre humanidade. Sobre emoções reais. Sobre o homem deixar de olhar apenas para o divino e começar a enxergar a si mesmo.

Alguns alunos fingem prestar atenção. Outros parecem ocupados demais mexendo no celular escondido sobre as mesas.

Sebastian suspira discretamente antes de continuar.

— Já que estamos falando do Renascimento… alguém pode me dizer qual artista foi responsável pela técnica do sfumato e por que ela foi tão importante para a pintura?

O silêncio domina o auditório.

Olho rapidamente ao redor. Ninguém responde.

Alguns evitam contato visual propositalmente.

Outros apenas parecem não saber.

Sebastian espera alguns segundos, paciente, mas claramente decepcionado.

Meu coração acelera.

Eu sei essa resposta.

Mordo a parte interna da bochecha, hesitante, antes de erguer a mão devagar.

Os olhos dele encontram os meus imediatamente.

— Leonardo da Vinci — respondo, tentando manter a voz firme. — O sfumato criava transições suaves entre luz e sombra, sem linhas marcadas. Isso dava mais profundidade, realismo e emoção às pinturas.

O silêncio continua por um segundo.

Então Sebastian sorri.

E meu Deus…

Aquele sorriso deveria ser ilegal.

Discreto. Elegante. Quase raro.

— Isso mesmo. Como se chama? — ele pergunta, mantendo os olhos fixos nos meus.

Sinto meu estômago revirar de nervosismo.

— É… Luana Simons — respondo, odiando o quanto minha voz soa tímida.

Ele me observa por alguns segundos.

Tempo demais.

Os olhos escuros parecem tentar me decifrar, como se estivessem procurando algo além da resposta certa. E, por algum motivo inexplicável, isso faz meu coração bater ainda mais rápido.

— Sua afirmação está correta, Luana Simons. — Ele pronuncia meu nome devagar, quase saboreando cada sílaba.

E por que, exatamente, meu nome soa muito mais bonito quando ele fala?

...

A aula termina rápido demais.

Ou talvez eu só tenha estado distraída demais para perceber o tempo passar.

Enquanto os alunos começam a guardar os materiais e deixam o auditório aos poucos, Sara espera pacientemente enquanto organizo minhas coisas dentro da bolsa. Tento focar no caderno, nas canetas espalhadas sobre a mesa, em literalmente qualquer outra coisa…

Mas meus olhos acabam voltando para ele.

Sebastian está próximo da mesa, organizando alguns papéis com tranquilidade. A postura continua impecável, e até o jeito distraído com que afrouxa levemente as mangas da camisa parece elegante demais para ser real.

Como se sentisse meu olhar, ele ergue os olhos na minha direção.

E então nossos olhares se encontram.

Meu coração falha uma batida.

Por um instante, o resto da sala desaparece.

Ele abre um pequeno sorriso — discreto, quase contido — e faz um leve aceno com a cabeça.

Sinto minhas bochechas aquecerem imediatamente.

Retribuo o gesto de maneira tímida antes de praticamente fugir dali junto com Sara.

Assim que saímos da sala, ela segura meu braço dramaticamente.

— Caramba… nosso professor é um gostoso! — ela dispara sem qualquer vergonha.

Solto uma risada abafada.

— Você estava prestando atenção na aula ou nele? — pergunto, tentando soar casual enquanto caminhamos pelo corredor.

Sara coloca a mão no peito, indignada.

— Qual é! Não fui só eu que fiquei olhando pra ele. A sala inteira estava!

Rio novamente, mas minha mente traiçoeiramente relembra os olhos intensos de Sebastian presos nos meus.

A forma como ele falou meu nome.

Droga.

— Ele parece ser novo demais pra ser professor — comento.

— Isso é verdade. Todos os professores aqui são, no mínimo, aceitáveis em beleza. Isso é praticamente requisito da faculdade. — Ela faz uma pausa dramática. — Mas aquele homem? Superou tudo.

Dou risada da sinceridade absurda dela.

O caminho até os dormitórios é tranquilo. O campus está movimentado, estudantes atravessam os jardins carregando livros, conversando alto ou andando de bicicleta enquanto o vento frio do Canadá bagunça meus cabelos.

Quando chegamos ao quarto que dividimos, Sara entra primeiro e se j**a na cama sem qualquer delicadeza.

— Hoje tem uma festa e você vai — ela anuncia, apontando para mim como se estivesse decretando uma lei.

Faço uma careta enquanto deixo minha bolsa sobre a escrivaninha.

— Não vou, não. Quero visitar o museu de artes da faculdade hoje à noite. Vai ter uma exposição nova.

Ela me encara em silêncio por alguns segundos, completamente séria.

— Juro que essa é a última vez que permito que você fuja de uma festa universitária.

Acabo rindo da indignação dela.

— Você fala como se fosse minha mãe.

— Porque claramente alguém precisa agir como adulta nessa amizade.

Balanço a cabeça ainda rindo antes de pegar uma troca de roupa e seguir para o banheiro.

Mas, no fundo, enquanto fecho a porta atrás de mim, a única coisa que consigo pensar não é na exposição.

E sim nos olhos escuros de Sebastian Blackwood.

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