James
Ainda estou no meio da sala vazia quando percebo que o silêncio ficou pesado demais. O tipo de silêncio que não é confortável, que não embala, que não deixa respirar. Lilly está à minha frente, parada, os braços soltos ao lado do corpo, o olhar perdido em algum ponto entre o chão de madeira e a janela. Vejo o peito dela subir e descer algumas vezes antes de ela finalmente se mover. Ela se aproxima devagar, como se cada passo exigisse coragem, e quando para bem na minha frente, diz, sem rodeios, como quem arranca um curativo de uma vez:
— Vamos nos divorciar.
A frase me atravessa seco, sem aviso, sem anestesia. Eu a encaro, tentando entender se ouvi certo, se aquilo é real ou só o eco de um medo que eu mesmo plantei minutos antes.
— Por quê? — pergunto, a voz mais dura do que eu gostaria. — Por que você está decidindo isso agora?
Lilly não abaixa o olhar. Pelo contrário, sustenta o meu, firme.
— Porque a gente pode ficar junto sem isso. — Ela respira fundo. — Nosso