Lilly
Acordar e não ver o James na cama me dá uma fisgada estranha no peito, uma insegurança antiga, conhecida, como se meu corpo tivesse memória própria. Por alguns segundos fico parada, sentada na beira da cama, olhando o espaço vazio ao meu lado, tentando entender por que isso me afeta tanto. A sensação é de déjà-vu emocional, como se eu estivesse voltando ao looping de sempre, aquele em que o James se afasta toda vez que algo muda, toda vez que alguma coisa real acontece entre nós. Respiro fundo, tentando me convencer de que estou exagerando, porque perder o controle nunca foi uma boa opção para mim, e eu sinto que estou perigosamente perto disso agora.
Decido não ficar ali alimentando pensamentos que só me fazem mal. Tomo um banho rápido, me arrumo sem muita cerimônia e resolvo ir até a casa dos meus pais. Minha irmã vai voltar para o exterior em breve e me pediu para estar junto quando ela finalmente contasse aos nossos pais algo que vem adiando há tempo demais. Vejo isso