Lilly
Acordo com o celular tocando de um jeito insistente, quase agressivo para aquele horário. Ainda está um pouco escuro no quarto, o silêncio da casa intacto, e quando vejo o nome da minha mãe na tela, o coração dá um salto. São antes das sete da manhã. Ela nunca liga esse cedo sem um motivo sério.
— Mãe? — atendo já me sentando na cama. — Aconteceu alguma coisa? O papai está bem?
— Calma, querida — ela responde, com a voz tranquila demais para alguém que acabou de me dar um mini-infarto. — Não é nada demais. Só queria saber se você vai passar aqui em casa hoje.
Solto o ar devagar, sentindo o corpo relaxar.
— Nossa, que susto, mãe... Vou, sim — digo. — Mais tarde. E vou levar o James comigo.
— Perfeito — ela responde, sem hesitar, como se essa fosse a resposta esperada.
Franzo a testa, estranhando.
— Mãe… está tudo bem mesmo? — pergunto. — É muito cedo. Você não costuma ligar nesse horário.
Ela ri do outro lado da linha, um riso leve, quase animado.
— Nova rot