Lilly
Eu olho pro celular como quem encara uma cobra enrolada no colo. Mensagem de James. Três palavras que deveriam ser simples, mas grudam na minha garganta como se fossem um anúncio luminoso piscando “PROBLEMAS”. Responder seria admitir que eu senti falta. Ignorar é fingir que nada aconteceu. Minha covardia ganha a disputa. Bloqueio a tela e enfio o celular dentro da bolsa como se fosse radioativo.
Eu estou sentada com a Jodi na cafeteria perto do hospital, ainda com o cheiro de álcool impregnado na roupa. Meu pai finalmente vai ter alta, e isso alivia metade do peso no meu peito. A outra metade é o caos ambulante chamado James.
Jodi mexe no cappuccino e me olha daquele jeito clínico, como se fosse uma psicóloga de plantão.
— Então… ele viajou mesmo? — Ela levanta as sobrancelhas.
— Viajou. Sumiu no ar — digo, fingindo que não estou nem aí, mesmo sabendo que minha expressão provavelmente me entrega.
Jodi inclina a cabeça.
— Por que ele te evitaria a ponto de ir pra