James
Sorrio pro celular como um idiota. A tela acesa mostra a conversa com a Lilly, depois do vácuo glorioso que ela me deixou. É patético o alívio que sinto por ela ter respondido. Patético também o jeito que meu peito aperta por ela não ter respondido antes. Sou uma contradição ambulante. O sorriso morre antes de virar completo, e fecho a tela, largando o celular na mesinha de centro como quem solta um objeto quente demais pra segurar.
A mente não me dá trégua. Nem o cansaço ousa competir com o caos que ela provoca. Tiro a camisa, atravesso o quarto e vou direto pro banho, tentando lavar o que não sai com água: a confusão. A intensidade. O que quer que tenha acontecido entre nós e se instalado feito um eco permanente.
Mais tarde, deito na cama, a luz do abajur suave, o quarto meio silencioso demais. O celular está no criado-mudo, quieto como se me observasse, julgando. Me pergunto como vai ser quando eu voltar pra São Francisco. Se ela ainda vamos agir com estranheza e