James
Eu perdi o controle. Não tem outro nome pra isso. Perdi completamente o eixo quando encostei na Lilly, quando senti a forma como ela respirou contra minha boca, como se fosse algo só nosso. Aquilo não era eu. Ou talvez fosse, e eu só tenha passado anos demais fingindo que não. Me entreguei pra ela como nunca me entreguei pra ninguém. Não com aquela intensidade crua, que parece arrancar a pele e deixar só o nervo exposto. Agora estou pagando o preço. Estou confuso, inquieto, irritado comigo mesmo por não saber o que fazer com todos esses sentimentos que resolveram brotar de repente, sem aviso, sem delicadeza.
E quando eu não entendo o que sinto, eu faço o que sempre fiz: eu fujo. Não no sentido covarde, mas no sentido estratégico. Me recolho. Me reorganizo. Londres sempre funcionou como meu eixo, meu ponto neutro, meu lugar onde ninguém me olha como filho de ninguém, onde eu não sou manchete, nem herdeiro, nem promessa, nem decepção. Em Londres eu sou só eu.
Então, depois