Continuação
O silêncio me esmagava. Um ano.
Minhas mãos tremiam, e o fogo que antes me envolvia se apagou, substituído por uma sensação fria, profunda... inumana.
— Um ano... — repeti, a voz rouca, vazia. — Eu dormi por tanto tempo assim.
Ninguém respondeu.
Selene respirou fundo, tentando se aproximar.
— Lua... — começou, com cautela. — Você precisa entender o que se tornou.
Levantei o olhar, e ela pareceu hesitar. A cor dos meus olhos mudava diante dela — o vermelho escurecendo até o negro, como brasas se tornando cinzas.
— Diga. — minha voz saiu fria, sem emoção.
Selene deu um passo à frente. — Você não é mais uma de nós. Nem humana, nem apenas imortal.
As chamas se reacenderam em volta de mim, mesclando-se com cristais de gelo que surgiam do chão. Fogo e gelo coexistiam, obedecendo à minha vontade.
— O que eu sou, então? — perguntei, sem mover um músculo.
— A mais pura de todas as imortais — respondeu Selene, com reverência e medo. — A Imaculada.
— Imacula