Aleksei Vasiliev
As marcas estavam frescas. O estacionamento ainda cheirava a borracha queimada e a metal superaquecido. Ajoelhei-me perto da curva onde Aurora quase foi fechada.
O desenho irregular dos pneus no cimento mostrava mais do que qualquer câmera quebrada. O carro era pesado, blindado, e o motorista sabia exatamente o que fazia. Não era tentativa de assalto. Era aviso.
Fechei os olhos. Respirei fundo. A noite nunca é silenciosa para mim. A cidade tem vozes escondidas, o rangido do encanamento três andares abaixo, onde um homem prendia a respiração por tempo demais, o ritmo de batimentos irregulares de quem vigia sem treinamento suficiente. Um caçador amador estava no edifício vizinho.
Levantei-me devagar. Não o confrontei. Não ainda.
Ao invés disso, usei os recursos que os homens entendem: dinheiro. O zelador do prédio, um sujeito de barriga protuberante e dedos amarelados de nicotina, arregalou os olhos quando abri a carteira.
— Câmeras falham. — mostrei as notas — Servido