Mundo ficciónIniciar sesiónNo coração de uma floresta isolada, um casal de indígenas se torna alvo da lei e de caçadores de recompensas após serem acusados de crimes que não cometeram. Fugindo das forças da civilização e das próprias tribos que um dia os acolheram, Yara e Tupã precisam lutar não apenas pela liberdade, mas pela verdade, enquanto enfrentam dilemas morais, traições e segredos de um passado sombrio. Unidos pelo amor e pela sobrevivência, eles estão destinados a se tornar lendas numa épica jornada de honra, justiça e redenção
Leer másDonaldo galopava de volta para o acamapamento ao anoitecer.Lyra o esperava. Trajada apenas numa blusa de linho. A boca da concubina se contraiu quando ela ouviu o galopar se aproximando da tenda, ao que ela escondeu os pincéis e os pergaminhos de selamento. O explorador vinha... para cavalgá-la, do mesmo jeito que fazia com todas as demais concubinas em seu poder, para acalorar sua noite até o alvorecer.Os estranhos símbolos traçados com tinta cor de pele tomavam sua virilha inteira. Ora, ela odiava usar o corpo dessa maneira, mas estava pronta, precisava estar... para absorver mais energia das sombras, para deter o avanço das sombras que se alongavam, que se apoderavam de Donaldo, sem que o seu senhor soubesse...Ah, ela e sua missão de conter o sinistro poder que corria em suas veias desde que ele fizera o pacto com o Lorde Sombrio, desde que Donaldo manchara o próprio ser...Podia fazer isso. Podia lidar com isso. Não era à toa que eles — os agentes do Sindicato — a chamavam de V
Em um sonho trespassado por sombras, Donaldo via-se imerso em um bosque de murmúrios antigos. Entre os esqueletos retorcidos das árvores, um vulto mascarado dançava, seus gestos tão fluidos quanto sinistros — um arauto do caos ou espectro de algum abissal delírio. A noite, outrora silenciosa, era rasgada por uma escuridão pulsante, lampejante, como se o próprio abismo cuspisse fagulhas de trevas. E então... movimento. Um borrão fugidio, nascido das entranhas das sombras, desprendia-se como um suspiro da noite. E dela, como uma aparição condenada a eternamente retornar, emergia Clara. Clara. Seu nome ecoava como uma maldição adocicada. Fantasma de um amor putrefato, ela surgia envolta apenas no véu da lua — bela, graciosa, e nua, carne e memória enleadas. Seus olhos, frios como lápides, carregavam o peso de todas as palavras não ditas, de todos os beijos que haviam se transformado em facas. Ela, outrora esposa, agora apenas um espectro de desejos enterrados e promessas apodrecidas.
A floresta despertava com o primeiro canto dos pássaros, um coro suave ecoando entre as antigas árvores, como se a própria natureza estivesse anunciando o início de um novo dia. O sol ainda não havia rompido o horizonte, mas o céu já se tingia de tons de lavanda e dourado, prometendo uma manhã clara e fresca. Era nesse momento, quando o mundo parecia suspenso entre a noite e o dia, que Tupã, ainda um menino, começava sua jornada.Seus pés descalços pisavam levemente sobre a terra úmida, sentindo cada raiz, cada pedra, como se a floresta lhe contasse histórias através do toque. Ele carregava um arco pequeno, feito por suas próprias mãos, e uma aljava de flechas que seu pai lhe dera no último aniversário. Tupã não era apenas um menino; era um aprendiz, um caçador em formação, e cada dia trazia uma nova lição.— Tupã, você está pronto? — chamou seu pai, Araçá, cuja voz era grave como o trovão distante. Araçá era um guerreiro respeitado na aldeia, um homem cujas histórias de caçadas e bat
O ar em volta parecia carregado de eletricidade, cada movimento uma melodia de sensações que os conectava de maneira quase transcendental. Ele sentia o calor dela envolvê-lo, um abraço íntimo que o fazia perder o fôlego. Cada avanço, cada recuo – uma dança que ambos conduziam com paixão e ternura, como se o mundo exterior tivesse deixado de existir.Ela arqueava as costas, os dedos dele marcando levemente sua pele, conforme murmúrios escapavam de seus lábios, palavras entrecortadas que misturavam desejo e afeto. Ele respondia com ações, cada toque, cada movimento, uma promessa silenciosa de que aquele momento era só deles, um segredo guardado a portas fechadas.O ritmo acelerava, a respiração ofegante ecoando no quarto, enquanto as mãos dela exploravam suas costas, sentindo cada músculo tensionado, cada onda de prazer que o percorria. Era como se estivessem à deriva em um mar de sensações, onde o tempo não tinha mais importância.E então, quando o ápice se aproximou, ela o fitou, os ol
A lua cheia pairou sobre a ravina, derramando uma luz prateada que banhou as pedras e a vegetação, tingindo o cenário de um brilho fantasmagórico. À beira do precipício, Lyra, a concubina de Donaldo, assentou-se com os pés balançando no vazio, ao que seus olhos mergulharam nas profundezas, onde as sombras se estendiam como dedos esqueléticos, conforme um arrepio gelado percorria sua espinha.Entre as muitas concubinas de Donaldo, Lyra era singular. Sua mente inquieta e seu coração ainda não haviam sido absolutamente subjugados pelo poder e pela riqueza de seu senhor. Ela nutria uma curiosidade insaciável sobre o passado de Donaldo, sobre os fios que teceram o homem que ele se tornara. Seria ele ainda aquele que conquistara corações femininos, ou apenas uma casca vazia, arrastada para as trevas?— Ele está bem? — sussurrou Lyra, sua voz quase engolida pelo vento que sibilava entre as rochas. — Ou está se perdendo nas sombras, afundando, como um navio à deriva?As histórias que ouvira s
O silêncio da noite pesava como um manto sufocante sobre o acampamento. A fogueira lá fora já não passava de brasas lânguidas, e dentro da tenda principal, Donaldo repousava... mas seu sono era agitado.No começo, era um sonho comum. Ele estava de volta à sua casa, muito antes de sua jornada rumo às florestas e ao hermético poder. A madeira das vigas rangia suavemente com a brisa noturna, e o cheiro de terra molhada impregnava o ar.Mas algo estava errado.O corredor... parecia longo demais.As paredes, onde outrora havia quadros e tapeçarias, agora estavam nuas e pulsantes, como se tivessem vida própria.Ele olhou para suas mãos. Estavam manchadas de... sombra? Como tinta negra escorrendo por sua pele.Ao fundo, um som abafado vinha do quarto. Risos. Um riso masculino, entrelaçado com suspiros de desejo.O ódio explodiu dentro dele, queimando como fel. Ele conhecia aquele quarto. Conhecia cada centímetro da madeira, cada imperfeição no teto. Era o quarto de Clara. Era o seu quarto.A
Último capítulo