Mundo ficciónIniciar sesiónDOMINIK
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Não demorou muito até que as luzes da cidade começassem a desaparecer atrás das janelas escuras do Volvo.
O Aeroporto Internacional de Vancouver surgiu à nossa frente poucos minutos depois, iluminado como uma pequena cidade particular em meio à noite fria canadense.
O terminal principal estava movimentado por passageiros comuns, malas e vozes apressadas, mas John seguiu por outro caminho, afastando-se da área comercial e conduzindo o carro até os hangares privativos usados pela elite bilionária.
Homens ricos não gostavam de esperar. Eles compravam o próprio céu.
Cruzei as pernas lentamente enquanto observava os enormes jatos alinhados do lado de fora. Alguns tinham logotipos discretos, outros apenas pinturas pretas sofisticadas que escondiam os verdadeiros proprietários.
Dinheiro. Poder. Segredos. Tudo aquilo coexistia naquele lugar.
John estacionou em frente a um dos hangares privados e desligou o motor. Antes mesmo que eu pudesse abrir a porta, vi Ewan se aproximando.
Elegantemente vestido em um smoking preto perfeitamente ajustado ao corpo, ele caminhava na nossa direção com a confiança perigosa de um homem acostumado a controlar tudo ao seu redor. Inclusive pessoas.
John saiu primeiro e abriu a porta para mim. Assim que meus saltos tocaram o chão, os olhos de Ewan percorreram lentamente meu corpo. Sem pressa. Como se estivesse admirando uma obra de arte cara.
— Você está deslumbrante esta noite — ele murmurou com um sorriso discreto.
Sorri de volta. Ewan sempre sabia exatamente o que dizer.
— Obrigada, querido.
Aproximei-me dele naturalmente e enlacei seus ombros. As mãos de Ewan deslizaram imediatamente para minha cintura, puxando-me para mais perto até que nossos corpos quase se colassem.
O perfume dele invadiu meus sentidos. Amadeirado. Luxuoso. Perigoso.
Nossos rostos se aproximaram devagar. Eu já conseguia sentir sua respiração quando o som de passos interrompeu o momento. John retornou segurando uma pequena caixa de veludo preto.
Os olhos de Ewan brilharam discretamente.
— Ah... quase me esqueci.
Ele pegou a caixa das mãos de John e a entregou para mim.
Franzi a testa, surpresa.
— O que é isso?
— Abra.
A curiosidade venceu e eu levantei a tampa da caixa.
“Diamantes.”
Um colar delicado acompanhado por pequenos brincos incrivelmente sofisticados brilhava sobre o veludo escuro. As pedras refletiam as luzes do hangar como pequenas estrelas. Deslizei os dedos cuidadosamente pelo colar.
— São lindos...
— São diamantes verdadeiros — Ewan comentou observando minha reação com evidente satisfação. — E extremamente raros. Quero você usando isso esta noite.
Meu olhar encontrou o dele.
Aquilo significava que o evento era importante. Muito importante.
— Ewan... isso deve ter custado uma fortuna.
Ele sorriu de lado.
— Você vale mais do que qualquer joia dentro dessa caixa.
Aquela frase deveria soar romântica. Mas havia algo nela que me causava arrepios. Talvez porque, no fundo, Ewan realmente me enxergasse como um objeto precioso. Uma peça exclusiva para ser exibida.
— Deixe-me colocar em você — pediu ele e eu assenti devagar.
Virei-me de costas e afastei o cabelo para o lado enquanto sentia seus dedos tocarem minha nuca. O contato foi lento demais. Intencional demais.
A corrente fria deslizou sobre minha pele fazendo um arrepio percorrer minha espinha. Enquanto Ewan fechava o colar, coloquei os brincos.
— Pronto — ele murmurou próximo ao meu ouvido. — Agora sim está perfeita.
Virei-me novamente para encará-lo.
— Eu adorei o presente.
Sem pensar muito, segurei seu rosto e rocei meus lábios nos dele. O beijo começou lento. Controlado. Mas bastou alguns segundos para Ewan aprofundá-lo levemente, apertando ainda mais minha cintura.
Eu já conseguia imaginar exatamente o tipo de pensamentos que passavam pela mente dele. Porém, novamente fomos interrompidos.
— Sr. Murray...
Afastei-me devagar enquanto um homem usando uniforme de piloto aproximava-se.
— Já recebemos autorização para decolar.
Ewan assentiu sem esconder a irritação pelo momento interrompido.
— Estamos indo.
O piloto se retirou rapidamente. Ewan segurou minha mão.
— Venha, minha querida.
Seguimos até o avião particular estacionado poucos metros adiante. O jato era absurdamente luxuoso. Minimalista por fora. Extravagante por dentro.
Assim que subi a pequena escada metálica, fui recebida por um interior sofisticado em tons de creme e preto. Poltronas largas de couro, iluminação dourada indireta, minibar abastecido e uma pequena sala privativa mais ao fundo.
Tudo cheirava a dinheiro.
Ewan acomodou-se ao meu lado assim que o avião começou a taxiar. Então segurou minha mão novamente. Lentamente. Os lábios dele tocaram meus dedos um por um. Quase reverentes.
Inclinei a cabeça sobre seu ombro enquanto observava as luzes da pista desaparecerem quando o avião finalmente deixou o chão. Para qualquer pessoa olhando de fora, parecíamos um casal apaixonado. Mas não éramos.
Ewan sempre fora assim comigo. Gentil. Atencioso. Sedutor. Desde a primeira vez que me contratara para acompanhá-lo em uma festa importante.
Meu trabalho era simples. Ser bonita. Elegante. Desejável. A mulher perfeita ao lado dele. A jovem bonita ao lado do bilionário elegante e mais velho.
Uma acompanhante de luxo treinada para circular entre milionários, políticos e empresários sem jamais cometer erros, e de sempre realizar qualquer fantasia sexual que os clientes desejassem, dentro, porém dos nossos limites.
Mas havia algo diferente em Ewan. Ao contrário de muitos homens que contratavam garotas da Secret’s Angel’s para além de companhia em festas, ele nunca havia tentado me forçar a ultrapassar limites.
Nunca pediu sexo. Nunca tentou me comprar completamente. Nunca tinha tentado sequer me levar para a cama.
Os nossos beijos eram o máximo de intimidade que compartilhávamos. E talvez aquilo tornasse tudo ainda mais perigoso. Porque homens pacientes costumavam esconder os desejos mais obscuros.
— Nervosa? — ele perguntou suavemente.
— Deveria estar? — retruquei.
Ewan sorriu.
— Não enquanto estiver comigo, minha querida.
Olhei pela janela do avião tentando ignorar a estranha sensação no meu peito.
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Seattle nos recebeu algum tempo depois, iluminada abaixo de nós como um mar infinito de estrelas douradas. Após o pouso, um carro já aguardava do lado de fora do aeroporto privado.
Seguimos diretamente para o bairro nobre onde aconteceria o evento. E, conforme nos aproximávamos da mansão, meu desconforto aumentava.
O lugar parecia saído de um filme. Uma propriedade enorme cercada por jardins impecavelmente iluminados. Valets recebiam os convidados enquanto música clássica ecoava discretamente do interior da casa.
Assim que entramos no salão principal, senti dezenas de olhares recaindo sobre nós, mas aquilo já era esperado. Naquele mundo, beleza e elegância eram moedas. E eu valia caro.
O vestido. As joias. O braço de Ewan envolvendo minha cintura. Tudo em mim havia sido cuidadosamente planejado para chamar atenção.
O salão estava lotado... Empresários. Socialites. Políticos. Mulheres deslumbrantes usando vestidos de alta-costura. Homens sorrindo falsamente enquanto escondiam interesses milionários atrás de taças de cristal.
O cheiro de perfumes caros misturado ao álcool sofisticado preenchia o ambiente. Ewan parecia completamente à vontade ali. Eu também deveria parecer.
— Murray! — uma voz masculina chamou.
Nos viramos imediatamente. Marcus Jenkins e sua esposa aproximaram-se sorridentes ao lado de Joel Wood. Já os conhecia de outras festas. Homens ricos adoravam repetir os mesmos círculos sociais.
— Senhorita Kartell... — Marillys Jenkins sorriu educadamente. — Você está ainda mais linda esta noite.
— Obrigada.
Joel Wood então colocou a mão nas costas da mulher ao lado dele.
— Esta é Freya.
Meu rosto permaneceu impecavelmente neutro e Freya sustentou o seu personagem perfeitamente.
— Prazer.
— O prazer é meu — respondi naturalmente.
Na realidade, Freya e eu nos conhecíamos muito bem. Mas existia uma regra absoluta dentro da Secret’s Angel’s: Nunca demonstrar vínculo em público. Jamais. Lady Ly era obcecada por discrição. E quebrar regras nunca acabava bem.
Ainda conversávamos quando ouvi uma voz conhecida atrás de mim.
— Dominik! Freya!
Meu sangue gelou. Virei-me imediatamente.
Amy vinha caminhando em nossa direção usando um vestido azul de cetim extremamente chamativo, acompanhada pelo Sr. Morgan — um homem ridiculamente arrogante cuja barriga parecia lutar contra os botões do smoking apertado.
“Meu Deus. Não.”
Por trás do sorriso elegante, meu corpo inteiro tencionou. Amy ainda era nova naquele mundo. Impulsiva demais. Ela sorria nervosamente. E garotas nervosas cometiam erros.
— Ainda bem que vocês vieram! — Amy disse animada demais.
Vi Freya prender discretamente a respiração.
Marillys Jenkins ergueu uma sobrancelha imediatamente. A desconfiança nítida em seu rosto semi plastificado de Botox.
— Vocês já se conhecem?
“Droga. Pensa rápido, Dominik.”
A olhei de relance.
— Conheci Amy e Freya em uma loja de vestidos algumas semanas atrás — respondi calmamente. — Acabamos experimentando roupas no mesmo horário. Que coincidência encontrá-las aqui.
Amy me encarou, demorando-se alguns segundos até que entendesse o aviso escondido na minha resposta e concordasse com minha história.
“Boa garota!”
Antes que ela dissesse mais alguma besteira não intencional, segurei delicadamente o seu braço.
— Amy, querida... por que não vamos buscar bebidas para os nossos homens?
— Ótima ideia — ela respondeu rápido demais.
Joel Wood olhou para Freya.
— Traga um coquetel para mim também.
Ela sorriu.
— Claro, querido.
Nós três atravessamos o salão em direção ao bar. Assim que nos afastamos o suficiente dos outros convidados, comecei a respirar melhor. Mas então... Eu o vi.
Meu corpo inteiro congelou.
Um homem parado entre os convidados do outro lado do salão. Alto. Ombros largos. Terno escuro perfeitamente alinhado. Por apenas um segundo nossos olhares pareceram se cruzar.
Meu coração parou.
“Não. Não pode ser.”
Engoli em seco.
— Dominik? — Amy perguntou baixo. — Você está bem?
Olhei para ela, desviando minha atenção. Mas logo que voltei meus olhos para o lugar de segundos atrás... Ele havia sumido. Pisquei rapidamente. Meu peito subia e descia rápido demais.
Talvez eu estivesse imaginando coisas.
Talvez fosse apenas paranoia da minha cabeça fragmentada.
Continuei andando ignorando as perguntas preocupadas de Freya e Amy. Logo chegamos ao enorme balcão iluminado do bar onde três bartenders preparavam bebidas sofisticadas para os convidados. Fiz nossos pedidos rapidamente.
Então finalmente me virei para Amy e abaixei o tom de voz, inclinando-me como se fosse contar algum segredo para ela.
— Nunca mais faça aquilo de novo.
Ela arregalou os olhos, porém disfarçou em seguida.
— Desculpa...
— Você violou uma das regras principais da Secret’s Angel’s. Nós nunca demonstramos que nos conhecemos em público.
Amy pareceu quase entrar em pânico.
— Lady Ly vai me castigar?
Suspirei. Amy ainda era nova demais para aquele mundo.
— Só se descobrir.
— O que provavelmente irá acontecer. Não é só nós três que estamos aqui — Freya murmurou olhando discretamente para o outro lado do salão.
Segui seu olhar e encontrei Jodie e Ella observando-nos. As duas estavam acompanhadas de clientes importantes enquanto fingiam conversar normalmente. Mas o olhar reprovador delas dizia tudo.
“Droga.”
Aquilo chegaria até Lydia. Com certeza.
Eu, Jodie, Ella e Shannon — que estava atualmente à serviço em Paris — éramos as veteranas da agência. As primeiras garotas recrutadas por Lady Ly anos atrás. Depois vieram Freya e a outras.
Amy fora a última adição ao grupo. Hoje era sua primeira festa. Seu primeiro cliente importante.
Éramos quinze garotas no total. Quinze mulheres treinadas para satisfazer os caprichos da elite sem jamais deixar rastros.
Nossas famílias não faziam ideia do que realmente fazíamos. Para o mundo, éramos apenas mulheres bonitas circulando entre milionários. Mas a verdade era muito mais sombria. E muito mais cara.
Amy apertou nervosamente sua mini bolsa de mão entre os dedos.
— Eu estraguei tudo, não foi?
Toquei seu braço suavemente. Confortando-a.
— Não entre em pânico. Vou conversar com Lady Ly pessoalmente.
Ela pareceu relaxar um pouco.
Os bartenders finalmente entregaram nossos coquetéis. Respirei fundo antes de me virar novamente para o salão lotado. E então... Eu o vi outra vez. Dessa vez, perfeitamente.
Alexander Foster estava ali. Parado próximo à enorme escadaria principal. Me observando atentamente.







