Capítulo 5

DOMINIK

🌸🌸🌸

— Aconteceu alguma coisa?

A voz grave de Ewan cortou o silêncio elegante da sala de estar enquanto ele me entregava uma taça de vinho tinto. Aceitei a bebida tentando parecer calma, mas minhas mãos ainda tremiam levemente.

O reencontro com Alexander continuava preso dentro da minha cabeça como um veneno impossível de expulsar.

Sentei-me devagar no enorme sofá de couro preto da luxuosa mansão Murray enquanto Ewan acomodava-se ao meu lado. O ambiente era absurdamente sofisticado. Lareira acesa. Iluminação baixa. Móveis modernos em tons escuros.

Tudo naquela casa exalava poder silencioso. Mas naquela noite, nem mesmo aquele conforto conseguia acalmar a tempestade dentro de mim.

— Não aconteceu nada — respondi depois de beber um gole generoso do vinho. — Por que a pergunta?

Ewan inclinou levemente a cabeça enquanto me observava. Ele sempre observava demais. Talvez fosse por isso que era tão perigoso.

— Porque você passou a noite inteira distante. Quieta demais. Como se estivesse presa dentro da própria mente.

Desviei os olhos imediatamente.

“Droga! Ele percebeu...”

Forcei um pequeno sorriso.

— Desculpe se não fui a companhia perfeita esta noite.

Ewan soltou uma respiração baixa antes de tirar delicadamente a taça dos meus dedos e colocá-la sobre a mesa de centro. Então segurou meu queixo, gentilmente. Obrigando-me a olhá-lo nos olhos.

— Você pode me contar qualquer coisa, Dominik.

O olhar dele era calmo. Paciente. Quase perigoso na forma como parecia enxergar além das minhas máscaras.

— Além de cliente… eu também sou seu amigo — ele complementou.

Meu peito apertou discretamente. Porque, de certa forma, aquilo era verdade. Ewan nunca me tratou apenas como um objeto decorativo. Ele me ouvia. Me respeitava. Cuidava de mim. Às vezes até mais do que deveria.

— O que está te angustiando tanto? — ele perguntou baixo. — Tem relação com a pessoa que encontrou na festa?

Fechei os olhos por um segundo. Não adiantava mentir.

— Sim.

Ele permaneceu em silêncio esperando, então respirei fundo.

— Mas não era uma amiga. Era Alexander Foster.

Abri os olhos lentamente e pela primeira vez naquela noite, Ewan pareceu genuinamente surpreso.

— Alexander Foster?

Assenti devagar. O nome dele ainda causava impacto, mesmo entre homens ricos e poderosos. Ewan recostou-se lentamente no sofá sem tirar os olhos de mim.

— Então era isso — ele murmurou.

Meu estômago apertou.

— Você o conhece, querido? — perguntei.

— Apenas de negócios e reputação.

“Claro que conhecia. Que pergunta idiota eu tinha feito...”

Homens como Alexander e Ewan circulavam pelos mesmos ambientes. Mesmo tipo de poder. Mesmo tipo de dinheiro. Mesmo tipo de escuridão escondida sob ternos caros.

— O que aconteceu entre vocês?

A pergunta veio calma, mas extremamente direta. Meu coração falhou uma batida, porque eu não sabia nem por onde começar.

Como explicar meses de submissão emocional? Desejo obsessivo? Dor? Dependência? Como explicar que Alexander Foster havia sido o homem que me destruiu fisicamente e mentalmente... sendo o único que eu nunca consegui esquecer?

Baixei o olhar.

— Eu não quero falar sobre isso hoje — minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria. — Prometo que um dia te conto, Ewan. Mas não hoje.

O silêncio caiu entre nós por alguns segundos. Então ele acariciou lentamente meu rosto.

— Tudo bem, minha querida.

Ergui os olhos surpresa.

Sem pressão. Sem insistência. Apenas compreensão vindo dele.

— Quando estiver pronta... eu vou ouvir.

Meu peito aqueceu estranhamente. Porque Alexander sempre exigia. Já Ewan esperava. A diferença entre os dois era assustadora.

— Obrigada, querido.

Aproximei-me dele devagar até repousar minha cabeça em seu ombro. Os braços de Ewan envolveram minha cintura imediatamente. Fechei os olhos sentindo o perfume amadeirado dele me envolver.

Ewan Murray tinha praticamente o dobro da minha idade, mas ainda era um homem extremamente atraente em seus cinquenta anos. Os fios grisalhos próximos às têmporas apenas o deixavam mais sofisticado. Mais experiente. Mais perigoso.

E talvez fosse justamente aquilo que me atraía tanto nele. A segurança. A estabilidade. Algo que Alexander nunca conseguiu me oferecer naquela época.

Levantei o rosto lentamente. Os olhos escuros de Ewan fixaram imediatamente nos meus. E pela primeira vez naquela noite... Eu senti vontade de fugir. Não da mansão. Mas das memórias de Alexander.

— Posso te pedir uma coisa? — perguntei quase em um sussurro.

Ewan deslizou os dedos pelos meus cabelos.

— Qualquer coisa.

Aproximei-me devagar. Muito devagar. Então o beijei. Os lábios dele tocaram os meus com suavidade inicial, mas havia algo diferente naquela vez. Algo mais intenso. Mais íntimo. Mais real.

— Fica comigo esta noite — murmurei contra sua boca. — Por favor.

A reação dele foi imediata.

Os braços fortes me puxaram diretamente para seu colo enquanto sua boca tomava a minha com mais firmeza. Meu corpo inteiro arrepiou, porque aquele beijo não era como os outros que trocávamos.

Não era o beijo controlado que dávamos em festas para manter as aparências. Não era um jogo elegante entre cliente e acompanhante. Era desejo. Era decisão. Era um “sim”. O meu “sim”.

As mãos de Ewan deslizavam lentamente pelas minhas costas enquanto o beijo se aprofundava. Fechei os olhos tentando esquecer tudo. Alexander. A biblioteca. A raiva. A dor. Queria apenas silêncio dentro da minha cabeça.

E naquele momento, Ewan me oferecia exatamente isso. Segurança. Conforto. Calma.

Entreguei-me ao beijo sem pensar nas consequências. Sem pensar no passado. Sem pensar em mais nada. O tecido do meu vestido escuro contrastava com os dedos masculinos dele percorrendo minha pele lentamente.

Seus lábios desceram pela minha pele, encontrando a curvatura do meu pescoço. Se alastrando como fogo pelo meu ombro enquanto seus dedos trabalhavam no zíper do meu vestido. Abrindo-o. Despindo-me.

Havia desejo ali, mas também cuidado. E talvez fosse justamente aquilo que me enfraquecia. Ewan me tocava como se eu fosse preciosa. Não quebrável. Não descartável. Preciosa para ele.

Suas roupas logo se juntaram ao meu vestido, aos pés do sofá. E sob o couro preto luxuoso eu me perdi nos braços de Ewan. Gemendo. Murmurando coisas desconexas. Totalmente entregue ao prazer que ele me proporcionava.

As horas seguintes passaram em meio a beijos demorados, gemidos intensos, carícias consoladoras e uma necessidade silenciosa de esquecer o mundo lá fora.

Quando ele me pegou no colo e começou a subir a escadaria principal da mansão, acabei rindo baixo contra seu pescoço, pois estávamos desprovidos de quaisquer vestes.

— Seus empregados vão nos ver assim.

— Que vejam.

A resposta arrancou outro sorriso meu. Ewan raramente perdia a compostura. Mas naquela noite havia algo diferente nele também. Talvez Alexander não fosse o único fantasma circulando entre nós.

Os corredores da mansão estavam silenciosos enquanto ele me levava até sua suíte principal. As luzes suaves criavam sombras douradas nas paredes escuras. Luxo. Poder. Privacidade.

Assim que entramos no quarto, Ewan fechou a porta com o pé e me colocou cuidadosamente sobre a enorme cama coberta por lençóis brancos. Nunca interrompendo os nossos beijos. E naquele momento... Eu deixei.

Deixei que ele me distraísse novamente. Que apagasse minhas memórias por mais algumas horas. Que me fizesse sentir de novo ser desejada sem dor. Sem culpa. Sem medo.

.

🔥🔥🔥

.

A claridade da manhã foi a primeira coisa que me incomodou. Gemendo baixo, puxei o edredom sobre o rosto tentando bloquear a luz intensa que invadia o quarto através das enormes janelas panorâmicas.

Demorei alguns segundos para abrir os olhos completamente. Meu corpo ainda estava pesado de sono. E agradavelmente cansado.

Sorri involuntariamente quando as lembranças da noite anterior começaram a surgir na minha mente. Os beijos. Os toques. A forma como Ewan havia me olhado.

Mordi discretamente o lábio inferior enquanto me espreguiçava sob os lençóis. Então percebi onde estava... A suíte principal da mansão Murray.

“Meu Deus!”

Sentei rapidamente segurando o lençol contra os seios nus enquanto observava o quarto sofisticado ao redor. Tudo parecia absurdamente silencioso. Olhei para o lado da cama. Vazio. Ewan provavelmente já estava acordado. Homens milionários aparentemente nunca dormiam até tarde.

Passei a mão pelos cabelos bagunçados e meus olhos pousaram no celular sobre a escrivaninha próxima à cama. Ainda enrolada no lençol, caminhei até lá. Mas assim que vi o horário na tela... Quase tive um ataque.

— Droga!

Eu estava absurdamente atrasada para o trabalho.

Corri imediatamente para o banheiro da suíte. O banho foi rápido demais. Praticamente uma guerra contra o relógio. Assim que terminei, encontrei meu vestido da noite anterior cuidadosamente dobrado sobre um divã branco no canto do quarto.

Definitivamente trabalho dos empregados.

Comecei a me vestir às pressas. Os brincos e o colar de diamantes estavam perfeitamente organizados dentro do estojo de veludo. Guardei meu celular rapidamente na bolsa. Então desci correndo para o andar principal.

Ewan já estava tomando café da manhã. Impecável como sempre. Vestido em um terno preto elegante enquanto lia o jornal tranquilamente à mesa. Como se não tivesse passado boa parte da madrugada comigo. Homens ricos realmente eram assustadoramente compostos.

Ele ergueu os olhos assim que me viu. E sorriu.

— Bom dia, querida.

Aproximei-me rapidamente e depositei um beijo breve em seus lábios.

— Bom dia, querido.

Ewan arqueou uma sobrancelha observando minha pressa.

— Não vai tomar café?

Peguei apenas uma maçã de cima da mesa.

— Estou muito atrasada.

— Vai trabalhar usando o mesmo vestido da festa?

Olhei para ele, horrorizada.

— Claro que não.

Ewan começou a sorrir lentamente. Provocador... Então cruzei os braços.

— Vou comprar roupas novas no caminho — falei confiante, mas logo me lembrei de algo. — Droga...

Ewan fechou o jornal, calmamente.

— O que foi?

— Lembrei que a minha carteira ficou em casa — resmunguei.

Por alguns segundos, ele apenas me observou. Então pegou a própria carteira do bolso interno do blazer. Retirou um cartão preto e o estendeu a mim.

— Use esse.

Encarei o cartão, surpresa.

— Ewan...

— Considere um presente pela excelente noite.

Sorri sem conseguir evitar.

— Você é perigoso demais para o meu autocontrole — retruquei em tom de zombaria e ele riu baixo.

— Tyler pode te levar às compras antes do trabalho.

Aproximei-me novamente para beijá-lo. Dessa vez mais demoradamente.

— Obrigada, querido — agradeci pegando o cartão de sua mão.

— Bom trabalho, Dominik.

Acenei para ele enquanto saía praticamente correndo da sala de jantar. Mas no corredor quase esbarrei em uma empregada carregando uma bandeja de sucos.

— Me desculpe!

Ela arregalou os olhos imediatamente.

— Não foi nada, senhorita.

Continuei andando rápido até o pátio principal da mansão. Tyler estava polindo um dos carros quando me viu.

— Bom dia, Srta. Kartell.

— Bom dia, Tyler. Preciso passar em algumas lojas antes do trabalho.

Ele assentiu imediatamente guardando o pano.

— Sim, senhorita. O Sr. Murray já havia mencionado que isso poderia acontecer.

Entrei no carro e assim que a mansão começou a ficar para trás... Meu celular vibrou dentro da bolsa. O peguei e quando vi o nome na tela... Meu sangue gelou.

Era Alexander Foster me ligando.

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