Meu Ex-Mestre Me Quer de Volta
Meu Ex-Mestre Me Quer de Volta
Por: L.C.Valmont
Capítulo 1

DOMINIK

🌸🌸🌸

O relógio marcava cinco da tarde quando fechei lentamente o livro que segurava entre os dedos. O silêncio dentro da suíte era elegante demais... sufocante demais.

Por alguns segundos permaneci imóvel na poltrona de veludo branco próxima à janela panorâmica, observando o céu cinza sobre o litoral de West Vancouver. O mar agitava-se ao longe, violento e frio, exatamente como meus pensamentos naquela noite.

Eu não queria ir àquela festa. Na verdade, queria qualquer coisa, menos colocar os pés naquele lugar. Mas Ewan precisava de mim. E eu tinha uma dívida impossível de ignorar.

Soltei o ar devagar antes de me levantar. Caminhei descalça pelo carpete claro até a cama king size e joguei o livro sobre os lençóis impecavelmente arrumados. Então segui em direção ao banheiro de mármore italiano.

A água quente escorrendo pelo meu corpo normalmente conseguia me acalmar. Naquela noite, não.

Festas luxuosas. Homens ricos. Sorrisos falsos. Segredos caros.

Nada daquilo era novidade para mim. O problema era que, naquela noite, algo parecia errado. Talvez fosse apenas paranoia da minha cabeça já colapsada. Ou talvez meu instinto estivesse tentando me avisar de alguma coisa.

Enquanto lavava o cabelo, minha mente voltava repetidamente ao mesmo pensamento:

“Por que Ewan insistia tanto para que eu estivesse presente naquela festa?”

Aquilo me incomodava um pouco, porque Ewan nunca fazia pedidos sem um motivo oculto.

Depois do banho, enrolei meu corpo em um roupão de seda e comecei a secar os cabelos cuidadosamente, começando a ondular os fios loiros diante do espelho iluminado.

Naturalmente, meu cabelo era ruivo. Um ruivo intenso e marcante. Mas fazia quase dois anos que eu o escondia sob aquela tonalidade dourada fria e elegante. Minhas irmãs odiavam.

“Você parece outra pessoa loira”, Chloe vivia dizendo.

E ela tinha razão. Porque era exatamente esse o objetivo. Ser outra pessoa.

Dominik Brandon precisava continuar perfeita. Intocável. Respeitável. Já que era a filha de um juiz renomado na sociedade. Já Dominik Kartell... Ela podia pecar.

Fui até o closet. As luzes automáticas acenderam revelando fileiras impecáveis de roupas de grife organizadas por cores.

Passei os dedos pelos vestidos enquanto analisava minhas opções. Sexy demais seria um erro. Discreta demais também. Eu precisava causar impacto... sem parecer que estava tentando. Escolhi então um Dior preto.

Perfeito. Elegante. Perigoso. Exatamente como a noite prometia ser.

Abri uma das gavetas e peguei uma calcinha vermelha de renda fina. O tecido deslizou pela minha pele como pecado puro.

Sorri sozinha. Pequenos segredos me divertiam às vezes.

Depois calcei um par de saltos pretos extremamente altos e vesti o vestido tomara-que-caia. O tule negro coberto por cristais Swarovski abraçou meu corpo como uma segunda pele.

A peça valorizava minha cintura estreita, destacava minhas pernas e deixava minha pele absurdamente clara ainda mais provocante sob a renda escura. Quando me olhei no espelho, reconheci imediatamente a mulher que eu precisava ser naquela noite.

Fria. Intocável. Controlada. Mesmo que por dentro eu estivesse desmoronando.

Voltei para o quarto e me sentei diante da penteadeira iluminada, observando meu reflexo. Olhos azul-esverdeados. Pele clara. Lábios naturalmente rosados. Bonita o suficiente para vender fantasias. Fria o suficiente para sobreviver a elas também.

Não queria uma maquiagem exagerada. Apenas o suficiente para esconder o cansaço acumulado dos últimos dias. Passei um delineador preto, máscara para cílios e finalizei com um batom nude. Elegante. Discreto. Fatal.

Peguei um par de brincos de diamantes, mas parei no meio do movimento ao lembrar do pedido de Ewan mais cedo naquele dia.

“Hoje, sem joias.”

Aquilo continuava estranho. Muito estranho.

Franzi levemente a testa antes de guardar os brincos novamente. Soltei o cabelo sobre os ombros. As ondas douradas caíram até o meio das costas como uma cascata iluminada.

Minhas irmãs odiavam aquele loiro. Segundo elas, o ruivo natural combinava mais comigo. Diziam que meus traços ficavam mais marcantes, mais exóticos... mais perigosos.

Talvez estivessem certas. Mas eu não queria voltar a ser aquela versão de mim mesma. Ainda não.

Às seis e meia em ponto, fiz uma última inspeção no espelho de corpo inteiro do closet. Perfeita... Ou ao menos eu parecia perfeita.

Peguei minha bolsa de mão prateada e saí do quarto. O som distante de vozes e risadas vinha da sala principal da mansão Brandon. Assim que comecei a descer a escadaria de mármore ouvi a voz do meu pai me chamar.

Forcei um sorriso. Virei-me lentamente sobre os saltos e me dirigi até onde se encontravam.

Meu pai estava sentado próximo à lareira acompanhado de Charlotte, sua futura esposa. Chloe e Arianne — minhas meias-irmãs — discutiam alguma coisa perto da mesa de bebidas enquanto Lydia tentava impedir sua filha Kirsty de beber champanhe rápido demais.

E Toby — filho de Charlotte e meu futuro irmão — parecia feliz. Ridiculamente feliz. A comemoração daquela noite era pelo noivado dele com Kirsty. Um jantar simples em família. Algo raro naquela casa.

— Vai sair, filha? — meu pai perguntou assim que me aproximei.

— Sim. Boa noite para todos — cumprimentei calmamente.

Os olhares imediatamente recaíram sobre mim. Charlotte sorriu discretamente. Chloe arregalou os olhos para o vestido. E Arianne... Bom, Arianne parecia pronta para fazer algum comentário venenoso. Kirsty levantou-se primeiro e me abraçou animada.

— Você está linda.

— Você também.

Toby sorriu.

— Poxa, vai perder o jantar de noivado?

— Infelizmente sim. Irei sair com um amigo — anunciei olhando para meu pai. — Não precisam me esperar para o jantar.

— Um amigo? — Chloe perguntou imediatamente, enrolando uma mecha do cabelo loiro no dedo. — Você devia trazer esse amigo aqui qualquer dia.

Sorri sem humor.

— Ele não é meu namorado, Chloe.

— Ah, claro... — Arianne debochou enquanto prendia seu cabelo castanho em um coque elegante. — E eu sou freira, irmãzinha.

Revirei os olhos.

— Cresça, Ari.

Ela abriu um sorriso lento. Provocador.

— Então ele existe mesmo...

Antes que eu respondesse algo pior, Lydia me lançou um olhar de advertência e aquilo bastou para eu me controlar.

Ninguém naquela sala imaginava quem Lydia realmente era. Para todos ali, ela era apenas uma amiga próxima da família. Mas, para mim... Ela era Lady Ly. A mulher que controlava uma rede sofisticada de acompanhantes de luxo espalhadas entre Canadá, Estados Unidos e Europa. E eu era uma das melhores.

Respirei fundo. Não valia a pena começar uma discussão. Aproximei-me de Toby e o abracei.

— Parabéns pelo noivado.

— Obrigado, Dom.

Ele parecia genuinamente feliz. Kirsty também. E por um segundo senti algo estranho apertando meu peito. Inveja? Não. Saudade talvez. Da ideia de acreditar no amor.

Afastei rapidamente aquele pensamento idiota. Cumprimentei todos novamente e saí da sala.

Do lado de fora, o vento frio atingiu meu rosto imediatamente. O elegante Volvo V40 preto já aguardava na entrada principal. John Stevens — o motorista de Ewan — estava ao lado do carro.

Sempre impecável. Sempre silencioso. Sempre observador a tudo.

— Boa noite, Srta. Kartell — ele disse baixo enquanto abria a porta para mim.

Kartell... O sobrenome da minha mãe. O nome que eu sempre usava quando trabalhava como acompanhante de luxo. Jamais permitiria que o sobrenome Brandon fosse associado ao tipo de coisas que eu fazia. A filha exemplar do juiz Peter Brandon nunca passaria as noites sendo paga para acompanhar milionários em festas privadas.

— Boa noite, John.

Entrei no carro. O cheiro de couro novo misturado ao perfume discreto dele preenchia o ambiente. Assim que deixamos a mansão Brandon para trás, encostei a cabeça no banco observando as luzes da cidade através da janela.

West Vancouver parecia calma à distância.

Mas eu sabia que por trás daquela aparência sofisticada existiam monstros escondidos em coberturas luxuosas, empresários corruptos e homens capazes de destruir vidas por dinheiro.

Homens como Ewan. Ou talvez... Piores.

Seguimos pela Interestadual 99 em direção ao aeroporto. O silêncio dentro do carro começou a ficar pesado demais, então resolvi quebrá-lo.

— Como estão Louise e Lucy?

Vi imediatamente os olhos de John mudarem pelo retrovisor. A tristeza tomou conta da expressão dele em segundos. Meu estômago apertou.

— A senhorita não soube?

Franzi a testa.

— Soube o quê?

Ele respirou fundo antes de responder.

— Elas sofreram um acidente.

Senti meu corpo se enrijecer.

— Meu Deus... quando?

A voz dele falhou discretamente.

— No mês passado. Louise foi ao Brasil visitar alguns parentes com Madeleine Foster. Como eu estava trabalhando, Lucy foi junto.

Foster... Aquele sobrenome atingiu meu peito como uma lâmina. Meu coração desacelerou. Alexander Foster...

Desviei o olhar para a janela imediatamente.

— O avião particular do Sr. Foster caiu no Texas durante a volta — ele continuou. — Minha esposa e a Sra. Foster morreram na hora.

O choque percorreu minha espinha. Por alguns segundos, eu não consegui respirar, muito menos dizer absolutamente nada.

Madeleine Foster estava morta. A esposa de Alexander estava morta.

Meu coração bateu forte demais. Violento demais.

— E sua filha Lucy? — consegui perguntar meio baixo.

— Está viva. Mas em coma induzido.

Fechei os olhos rapidamente.

— O estado dela é estável — ele completou. — O Sr. Murray me deu licença para cuidar dela.

Houve outro silêncio. Pesado. Sufocante. Então fiz a pergunta que não queria fazer.

— O Sr. Foster estava no avião?

John negou com a cabeça.

— Não. Ele estava na Austrália quando recebeu a notícia.

Alexander não estava no avião.

Uma sensação estranha percorreu meu peito. Alívio? Talvez. Meu corpo relaxou sem autorização e eu odiei isso.

— E como ele está? — perguntei tentando soar indiferente.

John soltou uma respiração pesada.

— Destruído.

Meu coração falhou uma batida.

— Dizem que ele não sai do apartamento faz semanas. Só bebe… e praticamente não fala com ninguém.

Desviei o olhar para a janela imediatamente.

Alexander bêbado. Destruído. Sozinho. Por que aquilo mexia tanto comigo depois de tudo?

Apertei os dedos contra a bolsa tentando afastar as lembranças, mas a imagem de Alexander surgiu na minha mente com força brutal.

As ordens. Os jogos. O controle. O homem que havia me ensinado a desejar a dor. O homem que havia destruído meu coração e minha mente.

Aqueles olhos cinzentos. A sua voz rouca. Suas mãos grandes segurando minha cintura de forma possessiva.

Afastei a lembrança na mesma hora. Não. Eu não pensaria nele. Não naquela noite. Não depois do que aconteceu entre nós.

— Meus sentimentos, John — murmurei sinceramente. — Vou rezar pela recuperação da Lucy.

— Obrigado, Srta. Kartell.

O silêncio voltou a dominar o carro. Mas agora ele parecia ainda mais sufocante.

“Então era isso...”

Era por isso que Arianne insistia para que eu lesse os jornais nos últimos dias. A morte de Madeleine Foster estava em todos os lugares. E Alexander... Alexander estava sozinho agora.

Fechei os olhos por um instante tentando controlar a avalanche de pensamentos. Mas foi inútil. Porque, no fundo, eu sabia exatamente porque aquilo mexia tanto comigo.

Eu nunca consegui esquecer Alexander Foster. Nem mesmo depois de tudo.

Peguei o celular dentro da bolsa tentando distrair minha mente e comecei a deslizar a tela sem realmente prestar atenção em nada. Qualquer coisa para impedir minha mente de voltar ao passado.

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