Nada naquela manhã parecia comum — nem o café que Isabella deixou esfriar na mesa, nem o silêncio que tomou conta do escritório antes mesmo do expediente começar.
Era como se o mundo estivesse em espera, observando.
Dante entrou segundos depois.
Ele não bateu na porta. Apenas entrou — como sempre fazia quando algo importante estava prestes a acontecer.
Seu olhar encontrou o dela, e por um instante Isabella teve a sensação de que o tempo encolheu — como se tudo até ali tivesse sido apenas prólogo.
— Durmiu? — ele perguntou, sem desviar o olhar.
— O suficiente — ela respondeu.
Não era verdade. Mas também não era mentira.
Dante se aproximou, devagar, como se cada passo tivesse um propósito. Quando parou diante dela, não a tocou. Não precisava.
— Luca enviou um relatório esta manhã — ele disse. — E você está no centro dele.
Isabella respirou fundo.
— Eu imaginei.
Ele inclinou o rosto levemente, estudando-a.
— E não vai perguntar por quê?
— Eu já sei — ela respondeu.
E sabia